Quando Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro passado, o país enfrentava uma grave crise econômica: inflação de 25% ao mês, taxa de juros de 133% ao ano e reservas internacionais quase zeradas. A raiz do problema estava no elevado déficit das contas públicas, financiado pela impressão de moeda, que alimentava a inflação.
Para combater a crise, Milei apresentou um pacote de 600 medidas ao Congresso, das quais apenas um terço foi aprovado pela Câmara. O Senado, com maior oposição, ainda precisa votar o restante das propostas.
Enquanto negocia com o Legislativo, Milei adotou medidas drásticas: cortou repasses para as províncias, suspendeu obras públicas, congelou reajustes de aposentadorias, demitiu servidores e reduziu subsídios para energia e transporte público. Esses ajustes geraram um superávit primário trimestral, o primeiro desde 2008, e começaram a reduzir a inflação, que caiu para 8,8% em abril, marcando a primeira vez desde outubro de 2023 que o indicador ficou em um dígito.
Apesar da queda, a inflação anual ainda é alta, próxima de 290%. Os custos sociais das reformas são imediatos: aumento da pobreza, que subiu de 42% para 57%, segundo a Universidade Católica da Argentina, e queda na renda das famílias. O FMI prevê uma contração de 2,8% na economia em 2024.
Mesmo assim, Milei mantém uma popularidade de cerca de 50%, similar à porcentagem de votos que o elegeu. Sua continuidade depende da aprovação de reformas no Senado, incluindo simplificação de regras trabalhistas, estímulo ao investimento estrangeiro e privatizações.
Com avanços iniciais, mas grandes desafios à frente, Milei busca equilibrar o apoio popular e político para tirar a Argentina de uma crise de décadas.



