Juventude africana enfrenta falta de investimentos e empregos de qualidade

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O consultor sênior de Políticas Sociais da Comissão Econômica para a África, Uneca, Jalal Abdel-Latif, reuniu-se com jovens africanos para debater o acesso a oportunidades no continente.

Entre empreendedores, trabalhadores do mercado formal e desempregados, o mesmo problema predomina: a falta de investimentos.

Desafio de implementação de políticas públicas 

Segundo Abdel-Latif, programas de formação ensinam apenas o ofício, mas não oferecem oportunidades reais de empregabilidade após a conclusão. 

O consultor também conversou com autoridades municipais, empresas, educadores e jovens para compreender o que está funcionando e o que precisa melhorar. 

O diagnóstico foi consistente: o desafio não está mais na concepção de políticas, mas em sua implementação.

Juventude no mercado de trabalho

De acordo com a Uneca, até 2035 mais jovens africanos ingressarão anualmente no mercado de trabalho africano do que no resto do mundo.

Isso exige ações econômicas capazes de gerar novos postos de trabalho e garantir que a juventude tenha acesso a eles.

ONU News / Ouri Pota
De acordo com a Uneca, até 2035 mais jovens africanos ingressarão anualmente no mercado de trabalho africano do que no resto do mundo.

A Carta da Juventude da União Africana estabelece que os Estados devem criar e implementar políticas nacionais de juventude como obrigação central. 

Essas políticas devem ser elaboradas com participação ativa dos jovens, assegurando seu envolvimento nos processos de decisão e governança. 

Também precisam prever mecanismos institucionais de coordenação, basear-se em diagnósticos da realidade juvenil, promover igualdade de oportunidades, especialmente, de gênero, e contar com financiamento adequado.

O desafio, porém, não se limita à quantidade de empregos, mas à sua qualidade. 

Em grande parte da África, as economias ainda não geram oportunidades suficientes, levando muitos jovens ao trabalho informal, como vendedores ou trabalhadores temporários na construção civil. 

Essa realidade afeta milhões de jovens, segundo Abdel-Latif.

Mulheres empreendedoras 

A situação é ainda mais crítica para as mulheres. 

Embora a África tenha uma das maiores taxas de empreendedoras do mundo, relatório da Uneca mostra que muitas iniciaram negócios por necessidade ou falta de opções melhores. 

Mesmo entre mulheres com alta escolaridade, a participação no mercado é mínima: dos 30% do Produto Interno Bruto, PIB, investidos em países em desenvolvimento, apenas 1% é acessado por empreendedoras.



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