Em Nairóbi, chefe da ONU reitera potencial da África como motor da mudança

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Nesta terça-feira, o secretário-geral discursou na Cúpula “Africa Forward”, em Nairóbi, Quênia. Na declaração, António Guterres reiterou como sua mensagem ao mundo que África não apenas espera por soluções, mas está a criá-las.

No evento com a participação de mais de 30 chefes de Estado e de governo, o líder das Nações Unidas ressaltou que o estado atual do sistema financeiro global continua sendo um obstáculo ao progresso do continente.

Sistema financeiro global

António Guterres defendeu que o sucesso da África é essencial não apenas para o continente, mas para o mundo inteiro. A ambição regional exige investimentos de grande escala, sistemas internacionais mais justos e parcerias com base no respeito mútuo. Ele apelou pela confiança, solidariedade e espírito de um futuro comum.

Na questão de energias renováveis, António Guterres ressaltou que o continente detém 60% do potencial solar mundial, mas atrai apenas 2% do investimento global em energia limpa.

© UNFPA/Stuart Tibaweswa
ONU considera a grande população jovem africana como a maior oportunidade do século

A condição para que isso aconteça é um financiamento correto que permitirá que o continente produza 10 vezes mais energia de que necessita até 2040.

Reformas no Conselho de Segurança

Outra questão essencial é a justiça na governação, para a qual Guterres reiterou a urgência de reformas no Conselho de Segurança da ONU com assentos permanentes para países africanos.

Na reforma financeira, o secretário-geral criticou as altas taxas de juros e o sistema de dívida que, segundo ele, “pune as economias em desenvolvimento”. O pedido feito aos bancos multilaterais é que sejam mais robustos e adotem medidas de justiça fiscal.

Quanto à juventude e tecnologia, ele apontou a grande população jovem africana como a maior oportunidade do século, sendo essencial um investimento em inteligência artificial, educação e infraestruturas locais.

ONU News
Guterres defende investimento em inteligência artificial, educação e infraestruturas locais

O chefe das Nações Unidas pediu ainda “o fim da exploração e do saque na África”, ao ressaltar que os povos da região devem ser os primeiros e principais beneficiários dos seus recursos.

Financiamento para a adaptação

Em relação às mudanças climáticas, António Guterres defende que a adaptação não pode mais ser tratada como uma questão secundária e pediu que sejam cobertas as lacunas no financiamento para a adaptação.

Para o secretário-geral, a África paga um alto preço por danos causados ​​pelas mudanças climáticas e ainda vê negado o acesso aos recursos e às capacidades que são necessários para proteger sua população e infraestrutura diante dessas circunstâncias.

Ele defende um financiamento climático justo como fator imperioso no mundo atual.

Ainda como parte da presença na região, após a cimeira coorganizada pelo Quênia e pela França na capital queniana, Guterres segue para Adis Abeba, Etiópia, para a 10ª Conferência Anual coorganizada pela União Africana e pelas Nações Unidas.



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