África tem desafios agravados após queda de 26% na ajuda internacional

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Em 2025, a ajuda bilateral à África Subsaariana caiu drasticamente. Segundo o Fundo Monetário Internacional, os cortes chegaram a quase 26% num único ano. A crise colocou o apoio multilateral também sob pressão, com grandes instituições projetando mais reduções nos seus orçamentos.

Durante décadas, a ajuda pública ao desenvolvimento foi um pilar central do desenvolvimento na África Subsariana. Mas, o FMI avisa que nos últimos meses, esse pilar está a enfraquecer de forma rápida e abrangente.

Serviços essenciais e doações internacionais

A região apresentou a maior dependência de ajuda em nível global em 2024, com verbas para financiar serviços essenciais como saúde, educação e assistência humanitária.

Em média, o auxílio representou 3% do Produto Interno Bruto, PIB, em nível regional, atingindo os 6% ou níveis consideravelmente superiores em países como o Sudão do Sul (mais de 30%), a República Centro-Africana (cerca de 20%) e a Gâmbia (cerca de 15%) em 2024.

De acordo com o FMI, os cortes no investimento prejudicam a ação dos parceiros de desenvolvimento e de várias organizações não-governamentais, ONG, que prestam serviços diretamente às populações mais necessitadas.

© Unsplash/Clyde Thomas
Uma plataforma petrolífera na Cidade do Cabo, África do Sul

Crises sucessivas reduzem margem orçamental

A resposta eficaz a crises, como o recente surto de ébola na República Democrática do Congo e no Uganda, depende fortemente da infraestrutura de saúde e humanitária financiada pela ajuda internacional.

O FMI sublinha que os cortes surgem numa altura em que os amortecedores tradicionais estão mais fracos: instituições multilaterais e ONGs, que frequentemente suavizaram quedas anteriores, enfrentam agora também restrições de financiamento.

Por sua vez, os impactos da pandemia, as condições financeiras globais mais restritivas e as crises alimentares e energéticas reduziram sucessivamente a margem orçamental dos países africanos.

Novas medidas

Perante esta reconfiguração do financiamento, o FMI destaca a necessidade de os países africanos protegerem e direcionarem a ajuda de maior impacto para setores estratégicos, diversificarem os instrumentos de financiamento e reforçarem a capacidade interna das suas instituições nacionais.

Segundo a organização, as implicações da reconfiguração do financiamento ao desenvolvimento variarão entre países, consoante a sua exposição de cada um a choques externos, os amortecedores iniciais e as escolhas políticas. 

No entanto, a direção é clara: a dependência de ajuda externa tornar-se-á mais incerta, e as políticas internas ganharão maior importância, prevê o FMI. 



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