É muito comum, quando os meninos do sexo masculino, especialmente quando estão na fase de transição da pré-adolescência para a adolescência, ficarem ansiosos por dois momentos interessantes e representativos para a vida humano-social: atingir os 18 anos de idade e ter em seu rosto (e em outras partes do corpo) o crescimento de pelos (barba e bigode). No primeiro caso, eles têm a ideia de que ao completarem esta idade, poderão fazer o que bem entender sem ter que dar satisfação aos pais ou responsáveis. Em outras palavras, acreditam que com ela, passam a adquirir sua total independência, com o argumento de que são maiores de idade.
No segundo caso, eles acreditam (eu também acreditava) de que tendo barba e bigode em seu rosto, automaticamente passam a apresentar para as demais pessoas que são adultos, amadurecidos, mais “descolados” e mais velhos. Quem tem um filho que se encontra nesta faixa etária, pode ser que já o tenha visto com o rosto raspado, mesmo não tendo pêlo algum em sua face. Lembro-me muito bem desta fase, pois ficava observando meu pai fazer a sua barba, mas com aquele aparelho de barbear manual, tendo que encaixar uma gilete e enroscar o cabo.
Na primeira oportunidade, pegava o barbeador, juntamente com o creme de barbear e fazia a minha barba. O interessante, que realmente não tinha nem um fio de cabelo no rosto, sendo totalmente liso, mas aquele momento era prazeroso. Depois que tivemos um filho homem (o Cadu), o vi fazendo a mesma coisa que eu, só que desta vez, eu já tinha um pouquinho de barba como também o bigode, pois estava para completar 37 anos de idade. No meu caso, houve uma situação que veio a me obrigar em fazer a barba diariamente, pois passei no Concurso da Polícia Militar do Espírito Santo – PMES, estando com meus 19 anos de idade, mas ainda não tendo nenhum sinal de barba no rosto.
Na Escola de Polícia, no período de estudo e formação (6 meses), era obrigatório barbear-se todos os dias, inclusive, na formatura matinal, um dos monitores (sargento ou oficial), costumava pegar um pequeno “chumaço” de algodão para passar em nosso rosto. Se ele agarrasse na pele, era certo que passaríamos o final de semana sem ir para casa, recebendo a punição conhecida como LS: Licenciamento Sustado. Estive 30 anos na carreira militar, portanto, foram muitos anos sem poder deixar a barba crescer, a não ser quando saiamos de férias ou estávamos de convalescência em residência (dispensa médica).
Este pode ser um dos motivos que venho preservando a barba crescida, mas bem cuidada. Outra razão, é que minha esposa e meus filhos gostaram e se acostumaram com o novo visual e, ao mesmo tempo, ajuda a descansar e suavizar a pele do rosto. Registros históricos confirmam que o seu uso era um costume dos homens de várias civilizações que nos antecederam. Uma das razões deste uso, seria de que com ela, passam uma impressão de responsabilidade, amadurecimento e de que são adultos. Noutras palavras, sujeitos homens ou “homens feitos”, que já podem assumir funções sociais, familiares, conjugais e trabalhistas.
Tem uma colocação do Pastor John Weaver (2013), quando cita uma das falas da peça teatral de William Shakespeare, “o Barulho por Nada”, que se encaixa perfeitamente na atitude dos meninos adolescentes, como também no costume de povos antigos, mas que ainda prevalece entre os homens de países atuais, que diz assim: “Aquele que tem barba é mais do que um jovem (homem); mas aquele que não tem barba é menor do que um homem”. Na antiguidade, em quase todas as civilizações, a barba do homem representou, entre outras coisas, sinal de honra, respeito, responsabilidade e masculinidade (ou varonilidade).
Neste ano de 2020, estamos completando 20 anos de caminhada em busca pelo aprendizado da doutrina de nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo. Durante este período de tempo, passei pela membresia de três igrejas cristãs (Evangélicas), todas de mesma denominação. Pude observar, que alguns de seus dirigentes (Pastores) tem certo receio e/ou preconceito quanto ao uso da barba pelos obreiros (Evangelista, Presbítero, Diácono etc.). Nesse sentido, despertou-me a curiosidade em pesquisar sobre o assunto na Sagrada Escritura. Dois textos Bíblicos registram narrativas acerca deste comportamento. Num deles, os homens de Davi (filho de Jessé) tiveram suas barbas cortadas pela metade e rasgada as suas vestes, deixando transparecer as suas nádegas (cf. 2 Samuel 10:4).
No outro texto, encontramos o registro de como se fazia a unção dos Sacerdotes Hebreus (ou Israelitas), derramando o óleo sobre a sua cabeça que escorria por toda a sua barba: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba de Arão (Sumo Sacerdote), e que desce à orla das suas vestes” (cf. Salmo 133:2). Este artigo tem o propósito de apresentar o contexto histórico e teológico sobre o uso da barba pelo homem, principalmente pelos Hebreus (ou Judeus) e o seu significado. Lembrando que o seu conteúdo, tomou por base o estudo feito pelo Pastor John Weaver, que ministrou um Sermão sobre este assunto, 40 anos atrás (cf. http//:www.espada.eti.br/barba.asp – A Espada do Espírito). Se você domina o idioma inglês, pode ouvir o sermão: http://.SermonAudio.com. Fizemos o acréscimo de algumas passagens Bíblicas, para melhor entendimento do leitor e irmão em Cristo.
A narrativa de 2 Samuel 10:1-7, nos deixava bastante intrigado e, em minha ignorância, perguntava: porque Davi não mandou que seus homens retirassem (“destruíssem”) o restante da barba que ficou em seus rostos? Mas ele não fez isso, mandando-os para a cidade de Jericó, devendo ficar lá até que a outra metade da barba viesse a crescer. Nesta passagem Bíblica, havia morrido um rei e, como era o costume, seu filho assumiu o trono. Este rei tinha sido benevolente com Davi, sendo assim, Davi enviou alguns de seus homens para apresentar seu pesar, pela morte de seu pai e, também, para poder consolá-lo.
2 Samuel 10:1-7. E aconteceu depois disto que morreu o rei dos filhos de Amom, e seu filho Hanum reinou em seu lugar. Então disse Davi: Usarei de benevolência com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de benevolência comigo. E enviou Davi os seus servos para consolá-lo acerca de seu pai; e foram os servos de Davi à terra dos filhos de Amom. Então disseram os príncipes dos filhos de Amom a seu senhor, Hanum: Porventura honra Davi a teu pai aos teus olhos, porque te enviou consoladores? Não te enviou antes Davi os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espiá-la, e para transtorná-la? Então tomou Hanum os servos de Davi, e lhes raspou metade da barba, e lhes cortou metade das vestes, até às nádegas, e os despediu. Quando isso foi informado a Davi, enviou ele mensageiros a encontrá-los, porque estavam aqueles homens sobremaneira envergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então voltai. Vendo, pois, os filhos de Amom que se tinham feito abomináveis para com Davi, enviaram os filhos de Amom, e alugaram dos sírios de Bete-Reobe e dos sírios de Zobá vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens e dos homens de Tobe doze mil homens. E ouvindo Davi, enviou a Joabe e a todo o exército dos valentes (sublinhamos).
Com base neste texto, podemos observar que ela não enfatiza nada mais sobre o corte das vestes, mostrando às nádegas dos homens, embora fosse uma afronta e humilhação. Mas, de forma totalmente oposta, coloca em destaque sobre o fato de terem raspado a metade de suas barbas. Por este fato, decidimos buscar respostas e sua possível explicação. Tomamos a mesma atitude do povo da cidade de Beréia, ou seja, fomos “cavucar” a Palavra de Deus, para encontra-las. Lembre-se de que nas Escrituras Sagradas, encontramos respostas para todos os tipos de comportamentos humanos: “A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las” (Provérbios 25:2).
Atos 17:10-12. E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens.
Vale ressaltar que esta atitude dos Bereanos, vale como grande aprendizado para o nosso tempo, pois podemos ouvir a palavra dita por qualquer pessoa que se diz cristão, mas se tivermos “dúvidas” no que disse, devemos conferir se ela está de acordo com as Escrituras Sagradas (Bíblia). Quanto ao segundo texto, o Salmo 133:2: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba de Arão (…)”; este óleo que desce pela barba do Sumo Sacerdote Arão, irmão de Moisés, significava que as bênçãos de Deus estavam sobre Ele e sobre o Seu povo.
Salmo 133:1-3. Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre.” (grifamos).
Tive um professor de Teologia que esteve neste lugar, ou seja, no Monte Hermom. Ele tem 2.814 metros de altitude, o seu pico está quase sempre coberto de neve, enquanto as terras ao redor vivem secas pelo forte sol de verão. Ele fica situado entre a fronteira do Libano com a Siria. Quando o Salmista faz a comparação entre o “óleo que desce sobre a barba de Arão” e o “orvalho do monte Hermom”, isto se deve ao fato de que, com o aquecimento climático, ocorre o degelo da neve que o encobre por quase completo, vindo a irrigar toda a região árida a sua volta, tornando-a muito fértil, trazendo grandes bênçãos para todos os moradores daquela região. Nesta passagem Bíblica, Deus usou da analogia entre as bênçãos produzidas por este grande monte de terra (derretimento da neve), com o óleo precioso da unção, que era usado na consagração dos sacerdotes hebreus, derramando-o sobre a sua cabeça, vindo a escorrer por sua barba.
Esta unção simbolizava que as bençãos de Jeová estavam sobre ele, o Sacerdote. Concedendo-lhe autoridade e poder para “derramá-la” sobre o seu povo. Portanto, a barba crescida no rosto dos homens escolhidos pelo Senhor, Profetas e Sacerdotes, com a missão de exercerem funções especificas, quando bem cuidada, indicava, entre outras coisas, que as bênçãos de Deus “desciam” sobre a sua vida e alcançavam também o seu povo. Em nossos dias, consigo entender perfeitamente o motivo do uso da barba longa e bem tratada pelos Hebreus e Israelitas (no passado) e pelos Judeus messiânicos e judeus ortodoxos1, pois além de fazer parte da Lei (Toráh), representava as grandes bênçãos de Deus, aos homens que as usavam.
Entre os costumes e as tradições judaicas, era uma desonra ou violação da lei, tê-la raspada: “Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis. Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba (grifamos). Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR” (cf. Levítico 19:26-28). Na parte “b”, do versículo 26, de Levítico, diz assim: “(…). Não arredondando os cantos da vossa cabeça”.
Segundo o historiador grego Heródoto, os adoradores das estrelas, dos astros e dos planetas, cortavam seus cabelos igualmente em volta da cabeça, aparando as extremidades. Costume também adotado pelos povos árabes que raspavam o cabelo em volta da cabeça e deixavam somente um cacho no alto, em honra ao deus Baco. Um dos significados deste nome, trata-se dum apelido de Dionísio, o deus grego do vinho e do delírio místico, comumente utilizado entre os romanos para designá-lo. Baco era um semideus, pois era filho de Zeus, o deus do céu, considerado o rei dos deuses (…).
Levítico 21:5-6. Não farão calva na sua cabeça, e não raparão as extremidades da sua barba, nem darão golpes na sua carne. Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos (grifamos).
A barba para o homem Hebreu (ou judeu), era muito mais do que o simples fato de ter pelos no rosto. Eles viam a barba como sendo a “glória e o orgulho de todo homem”. Ainda afirmavam que a “glória do rosto do homem é a sua barba” (Colmet’s Dict. Of The Bible, 1832). Esta importância e representatividade da barba, me fez lembrar doutra passagem Bíblica intrigante, envolvendo o costume de seu cumprimento entre os homens, que se encontra em 2 Samuel 20:9-10: Por usarem barbas longas, ao se encontrarem, pegava-se na barba um do outro, e a beijava (não no rosto como em nossos dias).
2 Samuel 20:9-10. E disse Joabe a Amasa: Vai contigo bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou a barba de Amasa, para o beijar. E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joabe, de sorte que este o feriu com ela na quinta costela e lhe derramou por terra as entranhas; e não o feriu segunda vez, e morreu (grifamos).
Talvez, por fazer parte do costume habitual, Amasa não atentou para o fato de que Joabe poderia mata-lo. Além disso, o uso da barba trazia distinção entre o homem e a mulher, conforme ficou bem caracterizado no ato da criação humana, efetuado por nosso Deus; pois Ele os criou macho e Fêmea. Quem criou a distinção de fazer nascer pêlos na face do homem (barba e bigode)? Foi o próprio Deus. E de não nascer no rosto da mulher (o rosto liso)? Também foi Ele. Podemos afirmar de que Jeová queria deixar claro e visível, a distinção entre o sexo masculino e o sexo feminino. E o adicional da barba no homem, foi um dos meios utilizados por Ele: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (…). E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada” (cf. Gênesis 2:7,22-23).
Segundo escreveu John Weaver (2013); “O propósito imediato desta proibição (rapar a barba) não era para evitar a licenciosidade ou se opor às práticas idólatras (…), mas para manter a santidade da distinção entre os sexos (macho/fêmea), que foi estabelecida na criação do homem e da mulher e deixar claro que em relação a isto, Israel não deveria pecar. Qualquer remoção dessa distinção (da barba) era antinatural e, portanto, uma abominação aos olhos de Deus” (acréscimo nosso). Alguém já disse: “Uma coisa é certa; um homem com barba e cabelos curtos nunca será confundido com uma mulher; por outro lado, um homem sem barba e cabelos longos pode, em algumas circunstâncias, ser confundido com uma mulher, principalmente se seus traços faciais forem suaves”. No tempo antigo, o homem sem a barba, era considerado efeminado, isto é, com aparência e modos femininos.
Clemente de Alexandria, um dos primeiros Padres da Igreja, chamava a barba de “adorno natural do homem”, e acrescentava que “não era permissível raspá-la”. Ele fez uma analogia que reputamos como maravilhosa, comparando a mulher com o cavalo e o homem com o leão: “Deus planejou que a mulher tenha a pele suave e lisa, orgulhando-se nas mechas naturais de seus cabelos, como um cavalo com a sua crina. Mas ao homem, Ele adornou como o leão, com uma barba… “juba” (The Fathers of the Church, 214). Esta, então, a barba, é a marca de todo homem. Ela é uma das formas de ser reconhecido como sendo homem. E é o símbolo da natureza superior…! Portanto, é uma atitude ímpia profanar o símbolo da masculinidade, os pêlos da face. Clemente de Alexandria (vol 2, pág. 276).
No passado, somente era permitido raspar a barba, caso o homem viesse a contrair uma doença conhecida por lepra, luto ou por uma calamidade. Portanto, quando um homem era acometido por esta enfermidade, era-lhe permitido rapar a barba. A lepra, na Bíblia, representava sinal de pecado, morte e de julgamento de Deus: “E, quando homem ou mulher tiver chaga na cabeça ou na barba, e o sacerdote, examinando a chaga, e eis que, se ela parece mais funda do que a pele, e pêlo amarelo fino há nela, o sacerdote o declarará por imundo; é tinha, é lepra da cabeça ou da barba. Então se rapará; mas não rapará a tinha; e o sacerdote segunda vez encerrará o que tem a tinha por sete dias (cf. Levítico 13:29-30,33; 14:9).
Somente depois que o homem ficava livre da lepra, atestado pelo Sacerdote, recebia a permissão de usar a barba novamente e voltar ao convívio social. A barba representava a liberdade da servidão do pecado, da morte e do julgamento de Deus. Um homem sem a barba ou com a face barbeada e lisa, indicava que era um escravo; que estava em submissão de outro homem. Dito de outra forma, estar privado de usar a barba era, e ainda é, em alguns lugares no Oriente, um distintivo de servidão. (Weaver, 2013). Este foi o caso de José, sendo vendido como escravo por seus irmãos, demonstrou sua submissão ao seu senhor imediato, Potifar e ao faraó, raspando a sua barba. Segundo o Pastor Weaver, Biblicamente falando, a barba indica que o homem está em submissão a Deus.
2 Coríntios 10:4-5. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;
Quando ouvirmos acerca de quaisquer assuntos, seja educação, política, religião, governo, família, barba, vestimenta, cabelos, etc., tudo deve ser levado cativo em obediência à Deus e à Sua Palavra. Noutras palavras, a nossa mente (pensamento) deve se submeter à Palavra de Deus: “Muita paz tem os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Salmo 119:165). Além da autorização de ser retirada a barba em razão da lepra, também poderia ser arrancada, raspada ou deixada sem cuidados, por uma grande tristeza, luto ou calamidade. Portanto, raspar a barba ou deixá-la sem os seus cuidados, significava a perda das bênçãos de Deus: ”Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba (cuidados higiênicos), nem tinha lavado as suas vestes desde o dia em que o rei tinha saído, até ao dia em que voltou em paz (cf. 2 Samuel 19:24).
Mefibosete era o filho de Jonatas, o amigo amado do rei Davi e neto do rei Saul. Quando tinha cinco anos de idade, sofreu um tombo que o deixou aleijado (côxo). Quando adulto, foi enganado por seu servo, Ziba, vindo a isolar-se totalmente do convívio social, indo morar na cidade de Lo-Debar, que em hebraico significa “sem pasto”. Durante este tempo, abandonou os cuidados quanto ao trato do cabelo e da barba:
2 Samuel 4:4. E Jónatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jónatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete.
Depois de um tempo, o rei Davi perguntou se ainda vivia algum familiar de Saul: “(…): Há ainda alguém que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça bem por amor de Jônatas?” (2 Samuel 9:1). E ele é informado sobre a pessoa de Mefibosete, filho de seu amigo querido Jonatas. Assim, manda busca-lo e restitui as terras de seu Avô, o rei Saul e, ainda, coloca-o para sentar-se à mesa todos os dias para comer pão com ele (2 Samuel 9:9-10).
Espero que possamos estar desejosos de aprender cada dia mais, acerca das coisas de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Nosso desejo é que o leitor e irmão em Cristo, passe a ler as Escrituras Sagradas diariamente, mas, se possível, com uma caneta e um papel ao lado, para fazer suas anotações ou assinalar suas dúvidas. Noutro momento, busque o esclarecimento daquela passagem e as respostas, vindo a conhecer o contexto histórico e cultural da época. Com esta prática, poderemos evitar de fazermos interpretações e “julgamentos segundo a aparência” (João 7:24).
1 Judeus Ortodoxos. Que adota, pratica ou segue as regras e/ou dogmas tradicionais. 2. Quem segue estritamente as normas e/ou regras estabelecidas por uma religião, ideologia, filosofia, política ou sociedade.



