Neste 16 de fevereiro, comemora-se o Dia Nacional do Repórter. Falar em causa própria é diferente que legislar em causa própria.
Por mais de duas décadas militamos no jornalismo. Iniciamos na mídia escrita, depois para a falada, onde contabilizamos significante experiência profissional, mas acima de tudo, como pessoa.
O jornalista, sobretudo aquele tem a função de sair à procura do fato para contar à sociedade exerce dentre outras, não menos importante, profissão da arte de informar e formar opiniões.
Há diferentes categorias de repórteres. Na imprensa escrita, falada, televisada, o repórter fotográfico, o repórter esportivo, o investigativo em setor policial, o político, o de economia, etc.
A sua função de investigar, pesquisar, entrevistar e produzir notícias e matérias para a TV, impresso, rádio e agora internet, em tempo real.
O repórter tem uma missão investigativa, independente da área de atuação. Como jornalista, ele pesquisa a informação. Assume a responsabilidade de contar os fatos aos seus seguidores.
O repórter exerce uma função de escritor de histórias. Não importa onde e quando o fato aconteça. Sempre haverá o expert que arquivará os mínimos detalhes do momento para formar um artigo, que se transformará em notícia, que instantaneamente alcançará quase todo o mundo, principalmente com o advento a rede mundial de computadores.
Por mais que cada tempo nos force a enfrentar as mazelas provocadas por nossos próprios atos, haveremos de encontrar uma solução para romper quaisquer obstáculos ao impedimento de informar para formar nossos leitores, ouvintes…
O Século XXI, trouxe um avanço extraordinário no jeito de fazer comunicação no Planeta. A evolução científica e a capacidade humanas geraram o que podemos chamar de democratização da informação.
Por mais que a maior parcela da população mundial tenha acesso à informação por conta da internet, meios de comunicação de massa, como o rádio e a televisão tem resistido a tudo.
A mídia impressa talvez tenha sido a mais castigada com a cegada do presente, e algumas centenas de jornais tradicionais pelo mundo chegaram a fechar suas redações, seus parques gráficos.
Por outro lado, esse meio é farto de profissionais de alta criatividade, e a internet não pode ser encarada como adversária da imprensa convencional, pelo contrário, é uma aliada. Ela chega para complementar.
Contudo, algumas empresas de comunicação, grande maioria interiorana, encerraram suas atividades, com destaque para o jornalismo impresso. Mas na radiofusão a situação não é diferente.
Além da democratização da informação, a digitalização da radiofusão também mexeu com a situação das empresas de comunicação falada.
As maiores vitimas, as de menor poder econômico. Para outras, a fusão entre rádio AM e rádio FM, com uma só programação, e a redução das despesas.
Empreendedores insistem em creditar a responsabilidade do quadro de comunicação de massa no Brasil às rádios clandestinas, comunitárias. Argumento que afasto, porque esses mesmos exploradores da comunicação que deixaram o capitalismo dominar seus ideais acabou por praticar o que chamo impedimento ao acesso à informação, ao canal que até então, o povo podia expressar sua indignação, sobretudo com os governos municipais.
Esses mesmos empreendedores do ramo da comunicação viraram as costas para o interesse popular, passaram a defender os interesses de grupos dominantes na sociedade.
Profissão perigo – Só no Brasil, segundo dados de entidades de profissionais de imprensa, mais de 100 jornalistas foram assassinados em decorrência do tema em que desenvolviam para o órgão em que representava.
O nordeste lidera o macabro ranking de perseguição e extermínio de repórteres no Brasil. A maioria ainda sem resposta das autoridades competentes.
Os dados apontam que de 2010 até o ano passado, quase 600 repórteres foram mortos no exercício da atividade.
De acordo com a Press Emblem Campaign (PEC), o Brasil ocupa a vergonhosa 7ª colocação entre os países mais violentos e perigosos para o exercício do jornalismo, sobretudo, o investigativo.
A maioria dos jornalistas, repórteres investigativos assassinados nos últimos meses no Brasil, foram executados, com requintes de crueldade e sem chance de defesa.
Eles ou investigavam ilícitos praticados por agentes políticos, suspeitos de corrupção; o envolvimento de policiais civis e militares no submundo do crime, e ‘desenterravam’ investigações tidas como concluídas pelas autoridades.
Esmagadora causa das execuções destes destemidos repórteres, é que em suas investigações eles jamais esperavam confrontar com pessoas de enorme respeitabilidade na sociedade.
O mais grave é que embora alguns executores tenham sido presos, os mentores (mandantes) das execuções continuam livres, impunes, entre nós.
Entretanto, não significa ser um discurso de desânimo, de covardia aos nossos colegas, para que deixem de ser o que são: os ouvidos, os olhos, a voz, a testemunha ocular da história.
Pelo contrário, soa como um estímulo, saber o preço de uma reportagem assinada depois de horas, dias, talvez meses de investigação.
Uma sociedade justa, segura, depende muito do profissional de imprensa, que prima pela ética, moral e retidão, mas sem perder de vista, as exceções.
Os riscos da profissão são facilmente notados. O repórter externo está sujeito às intempéries do tempo e coloca em risco a sua integridade física, quando saem para cobrir manifestações populares, de categorias profissionais, e mais ainda, conflitos sangrentos, em países em guerra.
Oração do Jornalista – Deus não deixe eu chegar atrasado à redação.Que eu possa Senhor cumprir minha pauta, conseguindo informações corretas e úteis, sem aparecer mais que o entrevistado.Que eu consiga uma boa fotografia.Que a câmera filmadora não falhe e o motorista esteja disponível.Senhor, tomara que a internet não saia do ar e que o meu editor não esteja de mau humor.
Peço-lhe Senhor, muita paz e tranquilidade durante a entrevista e discernimento para fazer a matéria justa e bem elaborada.Que o tempo seja suficiente para cumprir a outra pauta que me aguarda, logo em seguida,do outro lado da cidade. E que o meu trabalho contribua para diminuir a desigualdade social, e ajude a melhorar a qualidade de vida do planeta.Que eu entregue tudo a tempo e não sofra nenhuma agressão. Ou pior, seja alvo de uma bala perdida, virando notícia.
Que a matéria seja simples sem ser simplista. Que não seja prolixa e sim criativa.Que eu não cometa nenhum erro de português, Senhor, para não ser massacrado pelos colegas.Principalmente Senhor, que eu não caia no pescoção…que possa pagar minhas contas com esse salário e que nenhum jabá me seduza. E, finalmente, meu Deus, me ajude para que eu possa entregar tudo revisado e no prazo do dead line. Assim seja!” (Autor: Cid Moreira)








