A economia brasileira avança 0,9% no trimestre, mas a base do crescimento levanta preocupações sobre o futuro diante de déficits crescentes e baixa credibilidade fiscal.
O crescimento de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2024, o equivalente a 4% anualizado, trouxe alívio em meio às turbulências econômicas recentes. O resultado supera as expectativas de muitos analistas, mas, ao analisar os motores dessa alta, surgem dúvidas inquietantes sobre sua sustentabilidade.
Uma análise além do número
Por trás da cifra, o consumo das famílias aparece como principal responsável pelo avanço, com crescimento de 4,5% no período, maior nível desde 2011. Porém, esse movimento foi amplamente sustentado por transferências de renda do governo, que dobraram nos últimos anos, como o Bolsa Família. Esse estímulo temporário eleva o consumo, mas não é uma base sustentável para um crescimento robusto no longo prazo.
O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, também apresentou melhora após quatro trimestres de queda, mas ainda está aquém dos níveis vistos entre 2007 e 2012. Com uma taxa de investimento de apenas 16,7% do PIB, o Brasil está longe de economias como os EUA e a China, que investem mais de 20% e 40% de seus PIBs, respectivamente.
Descontrole fiscal e impacto nos mercados
A expansão fiscal do governo federal, com um crescimento real de 13,3% das despesas públicas nos últimos 12 meses, é uma das principais razões para o resultado positivo do PIB. Contudo, o déficit primário já alcança 2% do PIB, enquanto o nominal supera 9%, comprometendo a credibilidade fiscal do país.
O impacto dessa desconfiança é evidente: o real desvalorizou quase 25% frente ao dólar este ano, enquanto as taxas de juros do Tesouro brasileiro não param de subir, refletindo o repúdio dos investidores à dívida pública.
A incerteza à frente
Embora o crescimento seja positivo no curto prazo, os desafios à frente são claros. O financiamento do crescimento baseado em expansão fiscal e aumento da dívida coloca pressão sobre o governo para implementar reformas estruturais. Sem maior investimento em infraestrutura e produtividade, a economia brasileira corre o risco de ficar presa em um ciclo de crescimento insuficiente e endividamento crescente.
Panorama
A pergunta que fica é: até quando o Brasil poderá sustentar seu crescimento à custa de transferências e déficits crescentes? Os sinais de alerta já estão por toda parte, e sem medidas concretas de controle fiscal e estímulo ao investimento, o cenário para 2025 parece mais sombrio do que promissor.



