O profeta e a mensagem profética

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           A origem etimológica do termo profeta significa “porta-voz de Deus cuja mensagem é de admoestação ou de predição”. Outras fontes apresentam sua origem vindo do idioma hebraico e sua tradução mais usada, se dá pelo emprego da palavra “Nabi”, cuja significação é incerta, mas acredita-se que significa “ferver ou borbulhar”. Logo, o profeta seria “aquele que ferve ou borbulha com a mensagem de Deus”, que é direcionada aos homens.

           Outros teólogos e estudiosos das Sagradas Escrituras, acham ser mais provável que “Nabi” tenha conexão com o idioma Árabe ou Assírio. Para tanto, seu significado seria “Aquele que profere ou anuncia uma mensagem divina. Podemos simplesmente dizer, que o profeta “É aquele que fala da parte de Deus aos homens”. Um texto muito alusivo acerca da definição apresentada para esta palavra, encontra-se no Livro de Deuteronômio, cujo significado básico é a “Repetição da Lei”.

 

Deuteronômio 18:17-20. Então o SENHOR me disse: Falaram bem naquilo que disseram. Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei dele. Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.

 

‘           Como dissemos, o texto acima reforça o significado da função confiada por Jeová a certos homens do passado. Missão esta, cujo propósito essencial era para transmitir ao povo, somente aquilo que Ele os tivesse revelado. Caso contrário, poderiam sofrer algumas sanções ou juízos da parte d’Ele. Este título de profeta foi dado por Deus, para alguns homens hebreus do tempo do Antigo Testamento (AT). Eles eram os Porta-vozes de Jeová (ou Javé), com a missão de transmitir uma mensagem de admoestação (repreensão branda) ou de predição (o que iria/poderia acontecer no futuro) ao povo.

        Num certo sentido, pode-se dizer que os primeiros profetas foram os patriarcas que viveram desde a criação do primeiro homem – Adão, até chegar ao profeta Moisés. Profeta este, que além de ter sido usado por Deus, juntamente com o seu irmão Arão, para ser o libertador do povo hebreu, mas que tornou-se também num estadista, historiador, poeta e legislador.

 

Êxodo 3:1-3,6,9-10. E, apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o Anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. (…). Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. (…). E agora, o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.

 

           Moisés é considerado por Orlando Spencer Boyer e outros teólogos, o maior vulto do Antigo Testamento. Deus o usou para formar de uma raça de escravos hebreus, numa poderosa nação que alterou completamente o curso da história da humanidade. Noutro sentido, foi na pessoa do profeta Samuel que se iniciou o ministério profético propriamente dito. Depois desses primeiros mensageiros do Senhor, surgiu uma nova ordem de profetas. Desta vez, dividida em duas classes ou categorias.

           A primeira foi classificada como os Grandes Profetas ou os Profetas Maiores; são eles: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Eles receberam esta titulação, por terem profetizado por um período maior de tempo e por terem escritos extensas profecias que são apresentadas em seus livros. Dentro deste contexto, o ministério profético de Isaías, que ficou conhecido como o “Profeta Messiânico”, ocorreu durante o reinado de quatro reis de Judá (Reino do Sul): Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias.

 

Isaías 1:1: Visão de Isaías, filho de Amoz, a qual ele viu a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.

 

           Toda sua mensagem profética estava centrada na cidade de Jerusalém, passando pelos reinados desses quatro governantes. “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito (cortejo que acompanha uma pessoa, para servi-la ou honrá-la) enchia o templo” (Isaías 6:1). Estima-se que o ano a que se refere o texto seria 740 a.C., registra-se também, que o rei Ezequias veio a falecer no ano 687 a.C. Com base nessas duas datas, conclui-se que o ministério profético de Isaías tenha durado por volta de 53 (cinquenta e três) anos, isto é, mais de meio século.

           A segunda categoria ficou conhecida como os Profetas Menores, que receberam esta denominação por terem escritos profecias de pequena extensão ou que a sua duração se deu num período menor de tempo; são eles: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. O Evangelho de Jesus Cristo, segundo escreveu o médico e evangelista Lucas, em seu capitulo 24:44, versa assim:

Lucas 24:44. Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés (Pentateuco), nos Profetas (Maiores e Menores) e nos Salmos.

           Neste texto de Lucas, é evidenciado como era (talvez ainda seja) apresentado o Antigo Testamento Hebraico, diferenciando-se da forma de como está impresso em nossas Bíblias atuais. Outro texto Bíblico elucidativo que apresenta a figura do profeta, encontra-se no livro do profeta Jeremias:

Jeremias 1:4-10. Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. E estendeu o SENHOR a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares (grifamos).

 

           Mesmo antes de nascer, Deus escolheu e determinou que Jeremias seria profeta. Assim como Deus tinha um plano para a vida dele, Ele também tem para mim e para você. Por isso, precisamos nos preparar para sermos usados por Ele como instrumento em suas mãos. Uma das formas que Jeová utilizava e ainda utiliza para transmitir sua Mensagem e Revelação aos escolhidos, se dava por meio de sonhos e visões:

Números 12:5-8. Então o SENHOR desceu na coluna de nuvem, e se pós à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã e ambos saíram. E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés? (sublinhamos).

 

           O texto em relevo, registra o momento em que Deus repreende severamente a Arão e Miriã, por terem se queixado de seu irmão Moisés, quando se casou com uma mulher Cuxita (Etíope). Na verdade, foi um mero pretexto para encobrir a inveja que tinham de Moisés: “E disseram: Porventura, falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu”. (Números 12:2). Moisés falava como se fora o próprio Deus, por isso Jeová irou-se contra eles, não deixando passar em branco: “E a nuvem se desviou de sobre a tenda; e eis que Miriã era leprosa como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que era leprosa” (Números 12:10).

           Deus também pode escolher pessoas que, a princípio, não descendem da linhagem de profetas (netos e filhos de pastores), como foi o caso do profeta menor Amós.               Ele “era boieiro e cultivador de sicômoros”, na cidade de Tecoa, situada a cerca de 20 quilometros ao sul de Jerusalém (Amós 7:14).

 

Amós 7:11-15. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro. Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real. E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boieiro, e cultivador de sicómoros. Mas o SENHOR me tirou de seguir o rebanho, e o SENHOR me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel.

 

1. A Profecia do Antigo Testamento

        Vimos que antigamente, quando o profeta abria sua boca para dirigir uma mensagem de Deus ao povo, ele se tornava naquele momento, o representante fiel de Deus, o Embaixador de Cristo (2 Coríntios 5:20). Esses representantes de Jeová, quando em atuação no AT, tiveram basicamente três tipos de mensagens: União ou de Reunir o povo, de Admoestação ou Monoteísta.

1.1 – De União: neste tipo de mensagem profética, podemos destacar a pessoa de Moisés, Arão e Josué, entre outros personagens. Eles tinham a missão de unir e manter o povo voltado para Deus, na caminhada rumo a um lugar determinado, cujo propósito já havia sido revelado por Deus: a Terra de Canaã (Terra Prometida). O interessante a ressaltar deste episódio acerca do Êxodo (saída dos Hebreus do Egito), é que nem Moisés, Arão e nem Miriã entraram em Canaã. Os três irmãos, morreram no período compreendido de um ano, e pela ordem da sua idade, ou seja, do mais velho (Arão) para o mais jovem (Miriã).

 

. Arão morreu com 123 anos, no Monte Hor (na fronteira da terra de Edom): “Então, partiram de Cades; e os filhos de Israel, toda a congregação, vieram ao monte Hor. E falou o Senhor a Moisés e a Arão no monte Hor, nos termos da terra de Edom, dizendo: Arão recolhido será a seu povo, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebelde fostes à minha palavra, nas águas de Meribá” (Números 20:22-24). Ele, conforme o mandado do Senhor, “morreu ali no quinto mês do ano quadragésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês. E era Arão da idade de cento e vinte e três anos, quando morreu no monte Hor” (Números 33:38-39).

 

. Moisés morreu com 120 anos, no Monte Nebo, ao cume de Pisga (na terra de Moabe): “Então subiu Moisés das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está em frente a Jericó e o SENHOR mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã; (…); era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor. E os filhos de Israel prantearam a Moisés por trinta dias, nas campinas de Moabe; e os dias do pranto no luto de Moisés se cumpriram” (Deuteronômio 34:1,7-8).

 

. Miriã morreu em Cades, próximo ao deserto de Zim, com 130 anos de idade: “Chegando os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades; e Miriã morreu ali e ali foi sepultada” (Números 20:1).

1.2 – De Admoestação: poderíamos inserir aqui outros tantos personagens do AT, inclusive o próprio Moisés. No entanto, escolhemos os profetas Jeremias e Natã. O primeiro, direcionou sua mensagem profética ao exortar de forma especifica, o povo de Judá, advertindo-os sobre a sua irmã; Israel (Reino do Norte), que havia sido levada em cativeiro pela Assiria (722 a.C.). Entretanto, o povo de Judá (Reino do Sul), não lhe deu ouvidos e muito menos importância. Jeremias profetizou por mais de 20 (vinte) anos para eles, e repetindo a mesma mensagem: “convertei-vos de seus maus caminhos, pois o Senhor virá com mão pesada sobre vós”.

 

Jeremias 25:1-4. A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de Babilónia), a qual anunciou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo: Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do SENHOR, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando; mas vós não escutastes. Também vos enviou o SENHOR todos os seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir,

           Eles esqueceram-se de que a mensagem do profeta Jeremias para eles, em todos estes anos, era proferida da boca do próprio Deus. Quanto ao profeta Natã, ele exerceu seu ministério profético nos reinados de Davi e de Salomão. Um homem comprometido com a missão que lhe foi confiada pelo Senhor, tendo a ousadia para desmascarar o próprio rei, pelo cometimento de seu pecado.

2 Samuel 12:1-8. E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, apresentando-se ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. O rico possuia muitíssimas ovelhas e vacas. Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela tinha crescido com ele e com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha, e vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para assar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a ele. (…). Então o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso. E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa, e porque não se compadeceu. Então disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel, e eu te livrei das mãos de Saul; e te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e também te dei a casa de Israel e de Judá, e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas.

 

           Assim era e deve ser a atitude de um verdadeiro profeta, quando Deus manda falar, não importa qual seja a pessoa, o cargo que ocupa ou a sua classe social e, nem mesmo, a sua condição econômica. Ele deve transmitir aquilo que recebeu do Senhor.

1.3 – Monoteísta: as outras tribos e nações daquele tempo, também possuíam os seus profetas, mas eles eram politeístas, isto é, adoravam e reverenciavam vários deuses. A nação e o povo de Israel (os Hebreus), adoravam um único Deus e Senhor. E este Deus se mostrava presente em encontros pessoais (Genesis 12:1-3).

Gênesis 12:1-3. Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

(…)

Êxodo 3:14-15. E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.

 

           Mas este mesmo e único Deus, gostava também de se apresentar em encontros coletivos: “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao SENHOR. Disse também o SENHOR a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã, e lavem eles as suas roupas, e estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o SENHOR descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai” (Êxodo 19:9-11).

           Neste exato momento, enquanto você está lendo esta parte do texto, Deus pode estar se fazendo presente com/para você de forma particular. Portanto, adquira o hábito de conversar com Ele em secreto, por meio da oração. Reserve um tempo a sós com Ele (cf. Mateus 6:6).

 

2. O Profeta e a Profecia no Novo Testamento

        O profeta e a mensagem profética que passou a ser anunciada na Nova Aliança, continuou tendo o mesmo propósito e significado, mas se diferenciando um pouco daquela propagada no AT. Agora, ela surge com uma admoestação mais incisiva e direta, onde Deus comissionou o seu próprio Filho; Jesus Cristo, para ser seu Porta-voz diante dos homens. Dito com outras palavras; no passado, Ele fez o uso de certos homens como sendo os seus Oráculos, para anunciar a Sua mensagem ao povo: “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas (oráculo/porta-voz), a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo filho” (Hebreus 1:1-2).

           Agora, no presente, Ele usa o seu próprio Filho para desempenhar esta missão profética. Além disso, a tônica da mensagem profética pauta-se, basicamente, acerca do arrependimento e confissão de pecados, porque é chegado o Reino de Deus a Terra.

 

Mateus 4:14-17. Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia das Nações (ou dos Gentios). O povo que estava assentado em trevas (pecados) viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte (condenados) a luz raiou. Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus (acréscimo nosso).

 

        Vale lembrar, que antes de Jesus Cristo iniciar seu ministério profético na terra, foi escolhido e chamado João, o Batista, para preparar todo o caminho antes de sua chegada. E tanto João Batista como Jesus Cristo, atuando como profetas do Novo Testamento, transmitiram uma mesma mensagem aos homens: “E, naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mateus 3:1-2).

 

           Portanto, o surgimento de João, o Batista, e de Jesus Cristo, foram profetizados muitos séculos antes de seus nascimentos. Jeová já havia usado o profeta Isaías e outros profetas da Antiga Aliança, para anunciar que o Messias, o Ungido de Deus, viria a terra.

Isaías 9:6. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (…). 40:1-5. Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua servidão é acabada, que a sua iniquidade está extirpada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será exaltado, e todo monte e todo o outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso.

                                   

           As duas narrativas Bíblicas em destaque, comprovam o cumprimento total das profecias preditas pelo profeta messiânico Isaías. Inclusive, que o nascimento de Jesus ocorreria num tempo e lugar específico na história, ou seja, na Plenitude dos Tempos (Efésios 1:9-10). Como também, ele descreve o lugar onde João, o Batista, surgiria pregando o Evangelho de Cristo: “no Deserto da Judéia”.

           No AT haviam nações que reverenciavam vários deuses (politeístas), esses deuses tinham olhos, mas não viam; boca, mas não falavam; ouvidos, mas não escutavam; pernas, mas não andavam. Eles eram obras de madeira ou doutro tipo de material, feitos por mãos de homens, deuses mortos (cf. Atos 19:24-26). Sendo assim, Deus usou vários homens escolhidos e chamados por Ele, para transmitir a Sua mensagem a um povo de um único Deus (monoteísta).

           Deixando de forma clara que este único Deus fala e se inclina para ouvir o clamor de seu povo. Ele aprova ou reprova certas atitudes e promove intervenções em algumas situações (de cura, livramentos, etc.), ou seja, este é um Deus vivo e poderoso. No NT, Ele delegou esta missão ao seu próprio Filho Jesus Cristo, o profeta por Excelência. Ele profetizou durante aproximadamente 3 anos, propagando uma mensagem profética recebida diretamente do Deus-Pai.

 

Tito 2:9-10. Exorta os servos a que se sujeitem a seu Senhor e em tudo agradem, não contradizendo, não defraudano; antes, mostrando toda boa lealdade, para que, em tudo, sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador.

 

           Deus, no passado, escolheu homens comuns do povo para propagar a sua mensagem, capacitando-os com poder e autoridade, haja vista que falavam por Ele. Hoje não é diferente, Ele continua a escolher homens comuns como “Eu e Você”, com caráter e personalidade diferentes, em situações e circunstâncias diferentes, de classes sociais diferentes, de cidades ou países diferentes, para que possamos anunciar uma Mesma Mensagem: “Convertei-vos dos seus maus caminhos, pois o Reino de Deus (Jesus Cristo e a sua Palavra) é chegado à terra (a Nós)”.

        Para concluirmos este artigo, pode ser dito que a origem e/ou a construção da identidade do profeta do Senhor, se deu numa relação de grande intensidade e de completa dedicação a Jeová, resultando numa determinação na vida do próprio profeta e, consequentemente, na propagação de “sua mensagem”. Em outras palavras, podemos dizer que o profeta se “apaixonou” por Javé e que no prolongar desta relação, houve o surgimento duma grande comunhão e intimidade, resultando num forte laço afetivo entre eles. Portanto, que nós (eu e você) possamos buscar intensamente ter com Cristo, o mesmo tipo de relacionamento que ocorreu no passado, entre Deus e os seus Profetas, pois o nosso Senhor e Salvador, é um Deus que gosta, deseja e quer se relacionar diariamente conosco. Amém!

Eduardo Veronese
Bacharel em Direito – FABAVI/ES; . Pós-graduado em Direito Militar - UCB/RJ; . Capitão Reserva Remunerada da PMES (Ingresso RR 2013); . Professor e Palestrante dos Temas: Violência e Uso Abusivo de Drogas (lícitas ou Ilícitas).
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