por Nilton Ramos*
O jornalista investigativo e/ou político, presume-se, sabe da necessidade de se apurar com acuidade todas as informações lhe passadas pelo seu informante.
Levantar provas materiais, ouvir todas as partes. Precisamos frisar que jornalista não é policial, e muito menos, a maioria que conheço, não é sabedor do Direito em si.
A situação se complica muito quando os ‘investigados’ tem poder, e usam a máquina estatal a seu próprio serviço, inclusive para praticar crimes e encobri-los.
Situações acontecem em todos os setores da sociedade [em todos os Poderes]. A pergunta é: em quem confiar? E mais, principalmente as empresas de comunicação do interior [não conheço nenhuma] não oferecem uma estrutura razoável de cobertura ao seu profissional investigativo.
Por isso estamos todos sujeitos à uma imprensa ‘marrom’, sem qualidade nas suas informações, a profissionais corruptos e/ou que sobrevivem de verba pública repassada indevidamente como objeto de troca, que compram seu silêncio, a sua omissão.
Seguramente há muita poeira debaixo do tapete. Não nos esqueçamos dos profissionais experientes, tarimbados, que tem perdido espaço para os mais ‘baratos’, os recém-formados que trabalham por salários menores, e não são questionadores, e que ainda sonham com a fama mediante a busca pelo famigerado furo.

Não há uma organização de profissionais da imprensa que possa protegê-los, auxiliá-los e até a formação de uma rede de proteção nacional dessas voluntariosas e corajosas testemunhas oculares da história.
POLÍCIA CENSURA JORNALISTAS EM SÃO PAULO – Como não poderia deixar de ser, a Polícia Militar de São Paulo continua cada vez mais truculenta e violadora dos direitos humanos.
Em meio a duas chacinas que executaram 27 pessoas em menos de 60 dias, na Grande São Paulo, nas cidades de Osasco, Barueri e Carapicuíba, e que quase dez policiais já foram presos por suspeita de envolvimento com grupos de extermínios e com as mortes na Região Metropolitana, com uso de ações idênticas [modus operandi] e utilização de armas de grosso calibre, as vítimas agora são os jornalistas.

Durante manifestação de profissionais da educação, alunos e comunidade escolar contra o fechamento de escolas pelo governador Geraldo Alckmin [PSDB] os policiais impediram violentamente que os jornalistas registrassem as ações truculentas e criminosas dos fardados.
Apesar do direito de resistência a uma prisão injusta, mesmo com apoio de seus colegas e dos próprios manifestantes paulistas, Caio Castor foi preso e imobilizado pelos policiais militares de São Paulo.

Quando se age dentro da legalidade, autoridade alguma tem o que esconder. Pelo contrário, todas as portas são abertas para que o serviço que o estado nos deve, seja publicizado.
Ao agiram de forma violenta e truculenta, e pior, contra jornalistas, esses homens se colocam acima da lei. E não venham depois tentar justificar o assassinato de um cidadão, profissional com argumentos falsos e que agiram na legalidade e por determinação da autoridade maior.
Faz parte da cartilha da polícia militar brasileira durante todas as suas ações, quando já é premeditado o uso de violência e violação de leis e dos direitos humanos, o que é tipificado como a prática de crime, que esses arranquem do bolso direito a sua identificação para dificultar a responsabilização jurídica futura.



