Dólar fecha em R$ 5,65 com BC limitando efeito de saída de Moro

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O dólar comercial encerrou em alta forte nesta sexta-feira, mas bem longe das máximas, influenciado pela grande intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, que agiu para conter a volatilidade criada pelas repercussões sobre a saída do ex-juiz Sergio Moro do ministério da Justiça e da Segurança Pública. No encerramento dos negócios, a moeda americana era negociada em alta de 2,33%, a R$ 5,6573, longe da máxima intradiária de R$ 5,7469. Na semana, acumulou alta de 8,00%.

Em dia de forte volatilidade, o BC fez uma injeção líquida de US$ 2,175 bilhões no mercado à vista e do equivalente a US$ 1 bilhão no mercado futuro através de swaps cambiais, num total de seis intervenções. Esta foi a maior intervenção da autoridade monetária em um único dia desde 9 de março, quando o BC colocou, em dois leilões à vista, US$ 3,465 bilhões para conter a volatilidade causada pelo rompimento do acordo de produção de petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia.

Além das intervenções novas, o BC ainda colocou outros US$ 500 milhões em swaps cambiais e US$ 700 milhões em leilões de linha, como são conhecidas as operações de venda com compromisso de recompra. Estas ações, no entanto, foram realizadas como rolagem e, portanto, não representam dinheiro novo.

Em seu discurso de demissão, Moro defendeu a autonomia da Polícia Federal (PF) e disse que Bolsonaro queria alguém para quem pudesse ligar e colher informações. De acordo com o ex-juiz, símbolo da operação Lava Jato, o presidente relatou preocupação com inquéritos e teria indicado que uma troca no comando da PF seria oportuna. Moro afirmou ainda que não pediu para sair, como constou no Diário Oficial, nem que deu aval para a exoneração de Maurício Valeixo, diretor da PF que é o centro da disputa entre ele e o presidente.

A decisão do ex-juiz Sergio Moro de deixar o governo e as informações que o ministro revelou na coletiva podem ter dado a largada para um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, avalia o analista político da Vector Análise, Leonardo Barreto. “Qualquer entendimento que havia antes dessa ‘delação premiada’ que fez o Moro – a fonte política de maior credibilidade política do país -, pode apagar” diz o consultor em relação aos acenos que o presidente vinha fazendo ao Centrão, um ato que poderia garantir a governabilidade e sua manutenção no cargo.

Embora seja necessário aguardar a reação dos líderes desses partidos, que ainda não “consumaram o casamento” com o chefe do Executivo, Barreto diz que a esperada desidratação das forças bolsonaristas causada pelo rompimento entre as duas figuras faz com que Bolsonaro tenha perdido boa parte da condição de governar. “O que mais escutei hoje foi que Dilma caiu por menos”, comenta, ressaltando que Moro deu várias provas materiais, que podem embasar um pedido de impeachment por crime de responsabilidade.

Paralelamente, ainda existe preocupação sobre o destino do ministro da Economia, Paulo Guedes. O antes superministro, cuja imagem vem se desgastando nos últimos dias em meio a polêmicas como a do plano Pró-Brasil, cancelou sua participação em uma live do Itaú programada para hoje.

“O Guedes não é ministro, é uma holding de ministros. Se ele cai, caem vários secretários e outras figuras importantes. Pode desorganizar toda a política econômica”, diz Victor Cândido, economista da Journey Capital. “Corremos o risco de voltar às mínimas da crise do coronavírus se ele deixar o governo.”

Em meio à tensão transmitida pela política, o risco-país do Brasil medido pelos contratos de Credit Default Swap (CDS) de 5 anos operava esta tarde em 373 pontos. Este é o maior nível visto desde 18 de março, no pico da piora dos ativos causada pela pandemia da covid-19.

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