Você trabalha com a escassez ou a abundância?

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Muitas pessoas praticam o princípio do Ganha/Perde, onde para “eu” ganhar “você”  tem que perder. É algo ligado a um senso de escassez, quando preciso levar vantagem nas mínimas coisas, porque do contrário é como se eu fosse perder tudo. É o pobre entendimento de que ganhar significa apenas “derrotar”.

A sociedade de um modo geral tem como referência algumas dicotomias limitantes, tais como, “fraco/forte”, “pobre/rico”, “maior/menor” e “melhor/pior”. Imagine a cena em que uma pessoa compra um carro novo e se o vizinho compra um melhor que o dele, logo se frustra, e seu veículo, recém adquirido, praticamente perde todo o valor.

É um senso de escassez, uma espécie de “tudo ou nada”, que não corresponde à realidade de fato. Só existe essa limitação na cabeça do indivíduo. É mais ou menos como acreditar que: “se você não tem o melhor, tem o pior, ou seja, perdeu”.

No trânsito isso é muito comum. A pessoa tem que ultrapassar o outro veículo ou então tenta limitar a passagem do outro, como se estivessem disputando alguma coisa a ponto de serem premiados com alguma coisa. Alguns sentem-se diminuidos se alguém os ultrapassa. É um estilo ganha/perde, onde manter-se à frente dá uma ilusória sensação de superioridade.

Mas, pior do que essa situação é o caso de quem pratica o Perde/Ganha. Aquele que pensa que para o outro ganhar ele tem que ceder.  Percebe-se aí a idéia de escassez. Não sabem dizer “não” para as pessoas e mesmo sofrendo e contra a sua vontade, acabam concordando com situações que não são de seu agrado ou que limitam seus recursos. No entanto, preferem assim,  para evitar algum dissabor ou indisposição com o próximo. Vivem evitando conflitos acima de tudo. Passar por algum conflito tem uma dimensão em suas mentes maior do que o verdadeiro prejuízo que isso representa.

Errou quem estava pensando que esse seria o pior dos casos. O senso de escassez atinge seu nível mais alto na vida de quem pratica o Perde/Perde. É o autodestrutivo, que pensa: “eu perco, mas eu levo mais uns comigo”. É o pensamento do tipo “eu posso até perder, mas você também perde comigo”.  Outro pensamento equivocado nessa linha perde/perde é: “se todos perdem, assim não fica tão ruim porque ninguém levou vantagem sobre o outro”.

Na linguagem de Erick Berne, da Teoria da Análise Transacional, “eu não ok / você não ok”. É algo do tipo “sou assim por causa do que fizeram comigo”. É um comportamento que nas devidas proporções pode até ser considerado potencialmente autodestrutivo. E ao mesmo tempo, nocivo ao ambiente e aos relacionamentos.

A relação mais rica e eficaz é a prática do Ganha/Ganha. Uma pessoa com essa filosofia pratica o princípio da abundância, onde há o bastante para todos. Essa ideia torna a pessoa um líder influente, porque se destaca no meio da multidão. Não confundamos com o comportamento perde/ganha, que cede para os outros ganharem. Por mais que essa seja a sensação de quem pratica o princípio da escassez, quando pensa na possibilidade de ganha/ganha, que ao contrário das outras linhas traz vantagens mútuas.

Uma pessoa ganha/ganha tem a consideração com o outro, mas, na mesma proporção possui a coragem para ser claro, franco e assertivo, quando precisar, para assegurar que a relação seja de fato de ganhos mútuos. É um misto de consideração e assertividade, onde não se torna demasiadamente assertivo a ponto de praticar o ganha/perde e nem exageradamente sensível às necessidades alheias, para não praticar o perde/ganha.

A assertividade – um comportamento onde a pessoa não tem medo de buscar o melhor para si – traz benefícios individuais. Mas, se alinhada com a “consideração para com os outros” por trazer estrutura para relacionamentos e transações, onde pode-se construir uma sólida relação de confiança para percorrer caminhos da união produtiva. Esse princípio é saudável para familias, organizações, entidades e para o próprio indivíduo. Por meio dele é possível encontrar soluções conjuntas, caminhos que sejam bons para todos.

E aí?  O que vamos escolher? Construir relações mais sólidas e vantajosas para todos ou ficar reclamando porque a grama do vizinho é sempre mais verde?

Pense nisso essa semana, e sucesso para “todos”!

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