Usiminas antecipará US$ 90 milhões da dívida em dezembro

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Há mais de três anos acumulando resultados negativos, no meio de uma das maiores brigas societárias do país, a Usiminas começa a deixar a fase ruim para trás. O presidente da siderúrgica Sergio Leite anunciou que antecipará o pagamento de parte da dívida de R$ 6,95 bilhões junto a credores japoneses e brasileiros. “Quando renegociamos o pagamento, a previsão era começar a pagar a partir de 2019. Mas no dia 15 de dezembro deste ano, a Usiminas já vai conseguir amortizar US$ 90 milhões”, anuncia.

O dinheiro será distribuído proporcionalmente entre os bancos japoneses e brasileiros, além dos debenturistas. “Essa antecipação reforça que estamos em uma nova fase”, afirma Leite.

Além de adiantar a amortização de débitos que só venceriam em dois anos, a Usiminas também vai pagar integralmente por títulos (bonds). Anteriormente, a empresa havia se comprometido a pagar 50% em janeiro de 2018 e renegociar os outros 50%, por meio de uma operação chamada oferta de permutas. No entanto, resolveu pagar tudo de uma só vez. Para isso, teve que pedir a dispensa de tal oferta para os credores. Os bancos brasileiros já haviam concordado. Na última semana, os japoneses também aceitaram.

Os bonds fazem parte da dívida total da Usiminas, que incluiu os títulos em 2008, com vencimento em 2018. “Eram US$ 400 milhões. Mas recompramos R$ 220 milhões ao longo dos anos, restando R$ 180 milhões. O nosso compromisso era pagar metade, mas chegamos a conclusão de que será melhor pagar tudo”, esclarece Leite.

Em 2016, para evitar a falência, a Usiminas pediu que os bancos prorrogassem o recebimento das dívidas. Eles concordaram, com a condição de empresa apresentasse um plano robusto de capitalização. Na época, os controladores da empresa – os italianos da Ternium/Techint e os japoneses da Nippon Steel – deixaram as discordâncias gerenciais de lado e fizeram um aporte de R$ 1 bilhão. Em março deste ano, os acionistas concordaram em liberar R$ 700 milhões do caixa Musa (braço de mineração da Usiminas).

No segundo trimestre de 2017, a empresa registrou um ebtida de R$ 750 milhões, o melhor resultado dos últimos 28 trimestres. “Agora é olhar para o futuro. Começa um novo ciclo da empresa. Estávamos dentro de uma estratégia de sobrevivência. Agora, passamos a voltar a discutir o planejamento estratégico”, afirma Leite.

 

Fonte: O Tempo