Sobre ontem e o Brasil…

0
319

Moro quer que se pense que ele tomou a atitude de abandonar o Governo Federal nesse momento delicado, pandemia do coronavírus, em razão da substituição do Diretor Geral da PF.

Não acredito nisso. Isso não me convence.

Moro é uma pessoa extremamente fria e calculista. Aperfeiçoou-se mais ainda por ter a oportunidade diária de treinar isso sendo Juiz de Direito por mais de 20 anos. Fica bastante visível que a atitude de Moro foi estratégica, pensando integralmente na sua candidatura à presidência da república. Ele sabia que não tinha muita chance, caso não se desvinculasse de Bolsonaro, vide a envergadura política, moral, emocional e racional do atual Presidente da República. Entendo que seja difícil alguém brilhar sem muito trabalho pesado e brilhante, estando ao lado de Jair Bolsonaro, vide o exemplo de Ministros que conseguem fazê-lo. Se Moro conseguisse abandonar o Governo (mesmo em meio a uma pandemia) e de quebra ainda provocasse um impeachment ou pelo menos uma onda anti-Bolsonaro, isso seria perfeito para seu plano de candidatura à presidência da república, nas próximas eleições, visto que, conforme o próprio Moro, ele se encontra aí futuramente “à disposição” do país.

Em linguagem figurada, Moro é cérebro sem coração, não serve.

Bolsonaro é coração, com cérebro. Esse nos serve. Serve no sentido ambíguo da frase mesmo. Ele nos serve, porque nos defende como povo, mesmo com sua vida, que é o que tem feito e é isso que queremos (nos serve no sentido de que atinge nossas expectativas) e nos serve também no sentido de ser servil e humilde com o povo, com a pessoa simples, com aquele mais dependente da boa vontade de quem está na cadeira presidencial mesmo para que possa comer diariamente.

Ao passo que Moro, cérebro sem coração, não tem humildade para admitir que necessita do bombeamento do coração entregando-lhe o sangue para ter vida. É como um cérebro que só quer despachar comandos, sem nunca ser contrariado, no entanto ele era apenas um nervo. A realidade, contudo, não funciona assim. Na verdade, só é possível ser cérebro e coração ao mesmo tempo e através de eleições.

Nessa metáfora, Moro era um nervo que queria há um só tempo ser cérebro e por obrigação (os dois têm de ser assumido juntos) coração, no entanto esse cargo já tinha ocupante: o Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Impressionante como Moro conseguiu ser traidor. Ele esqueceu que não é mais Juiz de Direito. Agora, quem o julga não é mais o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é o povo. Bem-vindo à vida de político, Dr Moro. Sabemos que juízes acabam na prática nunca sendo julgados, exceto se matarem ou roubarem grandes somas com provas cabais e mesmo assim a maioria consegue escapolir-se da lei em razão inclusive da quase liturgia que envolve o cargo. Na carreira de Magistrado, sabemos que o funil é mais na entrada. Desde que Dr Moro entrou para o Ministério da Justiça, tornou-se um ex-juiz, atual político e essa classe é julgada primariamente por “um juiz” que é intolerante com pessoas traidoras, com pessoas que colocam seus objetivos pessoais à frente dos anseios nacionais. Esse maior juiz entre todos chama-se “Povo”.

Lembremos, aliás, de que Jair Bolsonaro teve como uma de suas afirmações pré-eleição presidencial a sua coerente colocação de que só votasse nele quem quisesse um Presidente da República que colocasse o “Brasil acima de tudo” e “Deus acima de todos”.