Setor supermercadista sofre por má-gestão

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Má-gestão e rotatividade de mão de obra afetam o setor. Foto: Cíciro Back

por Nilton Ramos*

Má-gestão e rotatividade de mão de obra afetam o setor. Foto: Cíciro Back
Má-gestão e rotatividade de mão de obra afetam o setor.
Foto: Cíciro Back

A sociedade vive em constante evolução. E essa movimentação forçosamente provoca efeito chamado cascata, atingindo positiva ou negativamente todos os seus setores.

Discutiremos, como que num ensaio de tese para mestrado ou doutorado, apenas o setor que inegavelmente nos fornece o combustível para a nossa sobrevivência física.

Setores como o comércio, principalmente a rede supermercadista, comumente onde adquirimos gêneros alimentícios para determinado período, de acordo com a necessidade, interesse e possibilidade de cada consumidor, por certo.

Foram longos períodos de luta por direitos dos trabalhadores. Houve mortes. Prisões para que os trabalhadores tivessem direitos, e esses chegaram em nossos tempos com a Consolidação das Leis de Trabalho [CLT], datada de 1943,  no caso do Brasil, que aliás, é signatário de várias convenções internacionais, firmadas com a OIT, Organização Internacional do Trabalho.

Sobrevivemos à escravidão, mas milhares de trabalhadores escravizados tiveram suas vidas ceifadas em minas, nos engenhos, assassinados por capatazes.

Não nos enganemos, disse que sobrevivemos à escravidão, não que a vencemos. Chegamos ao século XXI, mas nem tudo mudou.

Há mazelas por todo o país. Ainda deparamos com trabalhadores tratados em situações sub-humanas, sem salários, sem alimento, sem local para descanso, sem a CTPS [Carteira de Trabalho e Previdência Social] devidamente assinada, e até impedidos de deixarem o local onde se pratica abusos de grande repercussão física, patrimonial, dentre outras, em total violação das leis e dos direitos humanos.

Mazelas das quais nos referimos não ocorrem em locais distantes, estão próximas de cada um de nós.

Atualmente, as valorosas empregadas domésticas conquistaram merecidamente todos os direitos que um colaborador possui, contemplados na CLT.

Entretanto, a submissão, a ignoração e acima de tudo, a necessidade do ‘arroz com feijão’ nosso de cada dia obrigam nossos irmãos a aceitarem o que muitos empregadores lhes impõem, como a CTPS não assinada, sem férias, sem descanso, etc.

Por conta disso, ainda há um número incalculável de domésticos neste país sem a CTPS assinada. Que laboram mais de 10h diárias, sem folga, e que nem mesmo o salário mínimo nacional lhes é pago.

Situação só mudará quando os domésticos exigirem seus direitos, sem medo de represálias. Todavia, será um longo caminho a percorrer. A fome do filho fala mais alto.

Exemplo, a rede supermercadista é um dos setores que também carece melhor e mais qualidade na fiscalização por parte das Delegacias do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, dos sindicatos e que os empregados não temam, procure conhecer seus direitos.

Neste setor, há práticas ilícitas diariamente. Direitos são violados. Mais recentemente, todavia, há que se registrar, avanço na Região Metropolitana do Vale do Aço, onde os supermercadistas passaram a trabalhar meio expediente, com as lojas fechando mais cedo, o que já era nossa reivindicação de quase cinco anos.

A discussão chegou agora à Caratinga, cidade localizada no Leste de Minas Gerais.

Lei Municipal obriga que principalmente os supermercados baixem as portas aos domingos.

Questão divide opiniões. Somos da corrente que o funcionamento das redes supermercadistas aos domingos [o dia todo] prejudica consideravelmente a vida social do colaborador.

Empregado também é pai, é mãe.  São direitos do trabalhador, a convivência social, estar junto de sua família, entre outros.

Estudos já provaram que há prejuízos de toda monta para os trabalhadores e seus familiares, privados da vida social.

Espero que essa questão seja pacificada não muito longe. E redes supermercadistas e outros estabelecimentos, principalmente em cidades de pequeno e médio portes funcionarem 24h coloca em risco de vida os funcionários, consumidores, porque o Estado não tem cumprido com seu dever Constitucional de nos garantir segurança de ir, vir e ficar.

A rede de supermercadistas é um dos setores que provoca a maior rotatividade de empregados. São vários os fatores: deficiência nas condições de trabalho, baixa remuneração, ausência de um ‘plano de carreira’ no setor.

Na primeira oportunidade, o colaborador abandona aquele posto de trabalho, encontra um melhor, busca se qualificar um pouco mais…passa a querer mais, mais qualidade de vida. Quer a sua dignidade.

E com isso, a prestação do serviço cai consideravelmente, em detrimento do consumidor.

Pensamos que o quadro é provocado, sobretudo pela má-gestão. Não me convencem os movimentos dos empreendedores com discursos apocalípticos, provocando terrorismo psicológico, dizendo que o fechamento de lojas aos domingos terá como consequência crescimento no índice de demissão no setor.

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