Pelo bem dos menos favorecidos, #adiaENEM

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O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) tem se transformado, nos últimos anos, na maneira mais democrática de acesso ao ensino superior em nosso país. A avaliação é igual para todos, provenientes de escolas públicas e escolas particulares. Para isso, existem mecanismos que visam gerar equidade dentro do processo de acesso às universidades federais, historicamente tomada pelas elites em nosso país. Hoje em dia, podemos ver os corredores destes locais serem preenchidos por milhares de alunos da periferia, vindos diretamente da rede pública.

Este ano, temos a seguinte questão: o Ministério da Educação (MEC) tem ignorado a realidade de milhões de alunos que vivem à margem da sociedade, em situação de vulnerabilidade. Estes, de maneira completamente arbitrária, têm sido pressionados por um comercial que diz “dê seu jeito, se vira, o ENEM não pode ser adiado”. Como se não bastassem todas as pressões sofridas pelos adolescentes por parte da sociedade, agora temos o MEC fazendo o desserviço de pressionar aqueles que não tem como se preparar, nem mesmo “dar um jeito”.

Historicamente somos uma nação sem empatia. Usamos nossa régua para medir tudo e todos. Achamos, por exemplo, que todo mundo tem acesso à internet, enquanto a verdade é que milhões não tem tido acesso nem a um prato do almoço. A fome é realidade pra milhões de estudantes brasileiros. Como manter os prazos do ENEM 2020 com estes alunos fora das escolas? Como ignorar a falta de acesso destes alunos a ferramentas de estudo?

Para completar este cenário, o Ministro da Educação do Brasil disse esta semana que o ENEM “não deve ser usado para corrigir injustiças.” Pois bem, eu gostaria muito de confrontá-lo e dizer que a melhor forma de se corrigir as injustiças é por meio da educação, pelo bem dos menos favorecidos #adiaENEM.

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