Morte de Jean Charles completa 10 anos sem nenhuma punição aos envolvidos

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A decisão de não processar nenhum dos policiais fez com que a família levasse o caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Brasileiro foi morto com sete tiros na cabeça

Nesta quarta-feira se completam dez anos desde que o jovem Jean Charles de Menezes foi assassinado a tiros pela polícia ao ser confundido com um terrorista suicida no metrô de Londres, mas sua família ainda luta para que os responsáveis pela morte sejam punidos. Durante todo esse tempo, a família do brasileiro fez uma intensa campanha para levar à Justiça os autores da tragédia, que causou grande comoção e colocou em xeque o profissionalismo da polícia metropolitana de Londres, a Scotland Yard.

O jovem eletricista tinha 27 anos quando na manhã de 22 de julho de 2005 foi morto à queima-roupa pela polícia na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres. Os agentes estavam sob forte pressão, pois buscavam os responsáveis pelos atentados malsucedidos do dia anterior contra a rede de transporte londrina e que pretendiam ser uma repetição dos realizados duas semanas antes, no dia 7 de julho, contra três trens do metrô e um ônibus.

A casa de Jean Charles no sul de Londres foi vigiada a noite inteira por agentes que suspeitavam que um dos autores dos atentados do dia 21 de julho morava no local. Quando o brasileiro saiu de manhã para ir ao trabalho, foi seguido pela polícia. Pelo aspecto físico do eletricista, moreno e de olhos escuros, as forças da ordem o associaram a um suspeito de ser um terrorista suicida. Jean Charles chegou à estação de Stockwell enquanto era seguido por dois agentes armados e, ao entrar em um dos vagões, foi atingido por sete tiros na cabeça e um no ombro.

Diante do olhar atônito de outros passageiros, os agentes, que pertenciam à unidade armada de elite CO19, acreditavam ter evitado um novo massacre em Londres. Em meio à confusão inicial, a polícia afirmou – sem divulgar dados concretos que fizessem os agentes pensarem que Jean Charles era um terrorista – que o jovem usava uma roupa volumosa e que não parou quando os agentes gritaram, fatos que depois foram declarados como falsos, segundo investigações posteriores sobre o caso.

Não houve nenhuma vítima nos ataques do dia 21 de julho, mas nos do dia 7 morreram 56 pessoas, entre elas os quatro terroristas suicidas, que explodiram as bombas que carregavam em suas mochilas. Após o caso de Jean Charles, a promotoria decidiu desculpar de responsabilidade criminal os agentes envolvidos. A polícia metropolitana foi multada em 175.000 libras (870 mil reais) por não cumprir a Lei sobre Saúde e Segurança no Trabalho, uma ampla legislação trabalhista que exige o cuidado dos funcionários e de terceiros que possam ser afetados no exercício de um trabalho determinado.

Em 2009, a Scotland Yard e os parentes de Jean Charles chegaram a um acordo que incluía o pagamento de 100.000 libras (quase 500.000 reais nos valores de hoje) pelas forças da ordem como indenização. A polícia também já havia repassado recursos para financiar a repatriação do corpo a seu local de nascimento. Mas a decisão de não processar nenhum dos policiais fez com que a família levasse o caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que atende atualmente essa reivindicação. A expectativa é que o tribunal divulgue sua decisão nos próximos meses.

(Com agência EFE)

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