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Mike Pence: O homem que elegeu Trump. E que tem poder de tirá-lo da presidência.

FORT WAYNE, INDIANA, USA – Na última Sexta-feira, o mundo assistiu apreensivo a posse do 45° Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com a nova administração, surgem inúmeras dúvidas e muitos analistas insistem em dizer que é o “fim do mundo como o conhecemos”, da mesma forma que a atual ordem mundial entra em uma era sombria e de incertezas.

Na cerimônia de posse do novo presidente, bem como em todos os eventos que se suscederam durante o dia inaugural, enquanto todos os holofotes focavam os discursos desembestados de Donald Trump ou os trajes da primeira dama, ou enquanto os críticos analisavam a dança desajeitada do casal presidencial no primeiro baile, sobressaía a naturalidade diplomática do vice, Mike Pence. Juntamente com a sua esposa, o segundo casal da América destoava de toda a panacéia em função da aparência confortável com que se posicionavam em todas as circunstâncias pela discrição em saber se colocar com nobreza em todos os ambientes, sempre com sorrisos serenos e semblantes tranquilos, como pessoas seguras nem um pouco deslumbradas ou envaidecidas pelo poder – diferente do dono da festa e sua prole.

Mike Pence ainda é um ilustre desconhecido para o resto do mundo. Talvez porque as polêmicas de Trump ainda não têm deixado a imprensa internacional respirar e se interessar por nada mais neste momento. Mas, o fato é que Mike Pence foi maior recurso de Trump para esta eleição, da mesma forma que poderá ser a sua maior “carta na manga” durante o seu governo; E se não se cuidar, paradoxalmente, pode representar o seu pior pesadelo.

Logo depois que Trump passou pelas prévias do partido republicano, Trump ainda travava inúmeras lutas dentro de um partido dividido, esboçando desafetos com cascas grossas, como o atual governador de Ohio, John Kasich e o veterano ex-candidato à presidência e atual Senador pelo estado do Arizona, John McCain. Mas, foi somente ao anunciar o nome do então Governador do estado de Indiana, Mike Pence para compor a chapa como seu vice-presidente, que o partido acalmou e resolveu esboçar uma unificação temporária.

Mike Pence é um político daqueles possuidor de uma biografia sem máculas. Conservador, simpático e com uma postura um pouco mais low profile, Pence é dono de uma serenidade ímpar e de trânsito livre em todas as esferas da política americana, até mesmo dentro do partido da oposição. É o tipo que não faz inimigos. Atuou no Congresso entre 2001 e 2013, e desde 2013 ocupava o cargo de 50° governador do estado de Indiana. Com uma carreira política sempre ascendente, enquanto governador, Pence trouxe grandes investimentos para o estado de Indiana e deixou o estado, que é considerado um dos mais conservadores dos EUA, na condição de uma das maiores economias norte americanas, com uma indústria agropecuária muito eficiente e um parque industrial e tecnológico pujante e diversificado, com inúmeras indústrias automotivas e aeroespaciais. Pence foi responsável pela desburocratização do estado Indiana, pela atração de investimentos e pelo altíssimo investimento do estado em start-ups e promoção do empreendendorismo (anunciando só para o ano de 2017, mais de 1 bilhão de dólares para o movimento de start-ups). Com investimento altíssimo e de qualidade na educação, e com uma grande quantidade de universidades de renome, que são mais de 70 no estado, como a Purdue University, Notre Dame University, University of Indiana, Indiana Institute of Technology e Ball State University, que abrigam estudantes do mundo inteiro, o estado possui um baixíssimo índice de desemprego, de 4%, o que coloca o estado de Indiana com o nível de desemprego menor que a média nacional.

A partir do momento em que a mídia transferir os holofotes das peripécias e polêmicas de Trump para a produtividade do novo governo, o risco de Mike Pence sobressair e assumir protagonismo natural é muito alto. E é natural que os planetas se alinhem neste sentido. Da mesma forma, mediante o risco do partido, dividido e descontente com as criancices e falta de diálogo de Trump, além de toda a influência provocada pela pressão da oposição e pelo descontentamento geral da imprensa, existe a chance do partido republicano rachar de vez e passar a apoiar um provável esvaziamento e desgaste da imagem de Trump – na direção de um impeachment – na tentativa de conduzir ao cargo, um nome unânime que o partido considera o ser legítimo puro-sangue republicano para o cargo, na sua melhor forma. Os republicanos vivem dizendo à boca-miúda, que Pence seria o candidato ideal para enfrentar Hillary, o comunicador com a diplomacia necessária lidar e agradar a imprensa e o gestor com histórico de administração estatal impecável para o posto maior da nação. Enquanto os riscos e o dano que Trump ainda pode trazer à imagem do partido é alto, Pence representa a cartilha perfeita republicana e um dos melhores quadros que o partido pode apresentar no cenário atual.

Trump que se cuide. O seu maior trunfo pode acabar se tornando o seu maior dilema e, portanto, se posicionar debaixo da sombra de um político hábil como Pence – por mais que este pareça ser leal – pode revelar a sua incompetência política e lhe custar a pax de um partido republicano inteiro e, por consequente, aquela comum vulnerabilidade que antecede a queda. Portanto, concluo parafraseando uma frase de um grande amigo, Dr. Ricardo Bergmann que sempre me dizia: “A sombra de um campeão é o maior obstáculo na trilha dos incompetentes”.

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Shalom Confessorhttp://www.ibicollaborative.com
É especialista em Diplomacia Comercial e Cultural. Mestre em Sciences of Management pelo Indiana Institute of Technology, EUA, com formação em Relações Internacionais, atualmente é Vice-Presidente da International Business & Investment Collaborative, LLC. Foi presidente da Câmara de Comércio Brasil-Moçambique e Presidente do Instituto Política Global.

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1 COMENTÁRIO

  1. É só dar tempo ao próprio tempo para que as previsões se confirmem. O mundo inteiro espera que até que isso aconteça, TRUMP não cometa danos irreversíveis.

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