Miami obedecerá Trump e deixará de ser ‘santuário’ para imigrantes, diz prefeito

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Novo presidente dos EUA decidiu cortar o envio de fundos federais a cidades que protegem imigrantes em situação ilegal. NY, Los Angeles e São Francisco prometeram resistir.

A prefeitura de Miami-Dade, no estado da Flórida, ordenou nesta quinta-feira (26) às instituições penitenciárias que obedeçam ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar com a reputação de “cidade santuário” para imigrantes em situação clandestina e não pôr em risco o envio de recursos federais à cidade.

Segundo o porta-voz da prefeitura, Michael Hernández, o prefeito republicano Carlos Giménez instruiu o Departamento Correcional “a honrar todas as solicitações de detenção de imigrantes recebidas pelo Departamento de Segurança Interna”.

Giménez tenta, com isso, angariar a simpatia de Trump após o presidente americano determinar, na quarta-feira, o corte de fundos federais para as cerca de 300 “cidades santuário” do país que se negam a prender e a contribuir para a deportação de imigrantes em situação irregular.

A declaração ocorre após as maiores “cidades santuário” do país – Nova York, Los Angeles e São Francisco – prometeram resistir à ofensiva de Trump e continuar protegendo os imigrantes. Os prefeitos de NY e Los Angeles, Bill de Blasio e Eric Garcetti, são democratas.

A Flórida conta com cerca de 650 mil imigrantes em situação ilegal, segundo o Migration Policy Institute, e é o quarto estado com maior número de pessoas nessa situação, atrás de Califórnia (mais de 3 milhões), Texas (1,5 milhão) e Nova York (870 mil).

O prefeito de Miami rejeita o rótulo de “cidade santuário” imposto pelo Departamento de Justiça dos EUA no ano passado porque a polícia se negava (até hoje) a prender imigrantes ilegais – a menos que Washington pagasse os custos da detenção.

‘Decisão financeira’

Em entrevista ao jornal “Miami Herald”, o prefeito afirmou ter tomado uma decisão financeira ao ordenar a detenção dos imigrantes procurados pelo FBI (a Polícia Federal americana).

“Quero ter certeza de que não vamos colocar em risco os milhões de dólares em fundos que recebemos do governo federal por um assunto de US$ 52 mil dólares”, afirmou Giménez, um republicano que disse ter votado na democrata Hillary Clinton, que foi derrotada por Trump.

O valor de US$ 52 mil é o que teria custado a Miami deter os imigrantes em prisões locais no ano passado.