O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai reajustar todas as faixas do Minha Casa, Minha Vida, ampliando o alcance do programa habitacional. A principal mudança é o aumento do limite de renda da modalidade voltada à classe média, que sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil mensais.
A proposta foi antecipada pelo ministro das Cidades, Jader Filho, e formalizada nesta terça-feira (3) em reunião do grupo técnico de apoio ao conselho curador do FGTS, composto por representantes de trabalhadores, empregadores e governo. Para entrar em vigor, as mudanças ainda precisam ser aprovadas pelo conselho.
Novos limites de renda por faixa
Pela proposta:
- Faixa 1: limite sobe de R$ 2.850 para R$ 3.200. Nessa faixa, as famílias têm acesso a moradias subsidiadas pelo governo, com recursos do Orçamento transferidos ao Fundo de Arrendamento Residencial.
- Faixa 2: renda máxima passa de R$ 4.700 para R$ 5.000.
- Faixa 3: teto aumenta de R$ 8.600 para R$ 9.600.
- Modalidade classe média: limite sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Nas faixas 2, 3 e na modalidade classe média, as famílias financiam o imóvel com juros abaixo dos praticados no mercado, utilizando recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal.
Teto dos imóveis também sobe
O governo propôs ainda ampliar o valor máximo dos imóveis financiáveis:
- Faixa 3: de R$ 350 mil para R$ 400 mil.
- Classe média: de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
A expansão reforça o papel do programa como vitrine da atual gestão, especialmente em ano eleitoral. Na administração atual, foi criada a modalidade classe média, que ampliou o público atendido além do antigo limite de R$ 8.600. No ano passado, o governo injetou R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para viabilizar essa nova linha.
Impactos para o mercado imobiliário
A ampliação das faixas tende a aumentar a demanda elegível, especialmente no segmento de médio padrão. Para incorporadoras e loteadoras, a elevação do teto para R$ 600 mil abre espaço para lançamentos com ticket mais alto dentro do programa, principalmente em capitais e regiões metropolitanas.
Corretores ganham novo argumento comercial ao enquadrar clientes que antes ficavam fora do limite de renda. Já investidores podem observar uma possível reprecificação de estoques dentro das novas faixas, além de maior liquidez em empreendimentos compatíveis com os tetos atualizados.
O movimento também busca aliviar a pressão sobre a poupança, tradicional fonte de funding imobiliário. Como as linhas do programa oferecem juros reduzidos, a ampliação pode reduzir a disputa por crédito fora do Minha Casa, Minha Vida, beneficiando indiretamente famílias com renda acima do teto.
No fim do ano passado, o governo anunciou ainda um novo modelo de financiamento imobiliário, com maior flexibilidade para os bancos utilizarem recursos da poupança, na tentativa de impulsionar o crédito habitacional no país.
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Informações retiradas de Folha de São Paulo


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