Inflação: O dragão que corrói a economia do país

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O atual processo inflacionário no país gera preocupação nas autoridades econômicas e seu controle depende de medidas estratégicas, para que esse dragão não desestabilize o mercado interno, gerando desconfianças no âmbito externo.

Os atuais índices inflacionários do país estão preocupando as autoridades econômicas governamentais. O país vem enfrentando desde o ano passado vários problemas de ordem econômica e com a desaceleração da economia, a inflação volta a assombrar os brasileiros, apresentando índices que estão superando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Tais níveis são oriundos da alta demanda e baixa produtividade de anos anteriores, ou seja, os salários subiram, porém a produtividade, a oferta, não acompanhou o crescimento da demanda. E a conseqüência de uma oferta baixa e de uma demanda elevada é a alta dos preços.

O Brasil vivenciou anos atrás períodos de expansão econômica devido à alta dos preços das commodities no mercado externo. Nesse período, apresentou taxas de crescimento elevadas, com alta concentração de investimentos, baixa de juros e elevação do consumo.

Porém, nossos gestores públicos não aproveitaram o período da bonança para investir em setores importantes economicamente, a fim de tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mercado externo. Foram anos de gastos desenfreados e falta de investimentos em tecnologia e produção de produtos e serviços de valor agregado.

Com a baixa dos preços das commodities no mercado internacional, o saldo da balança comercial foi afetado negativamente e essa variável impacta diretamente na economia interna, cobrando um preço alto, sendo um deles o crescimento inflacionário.

O termo inflação causa preocupação em nosso país devido ao nosso histórico de hiperinflação que acometeu o país na década de 80 e meados da década de 90. Nesse período, as perdas com a inflação eram gigantescas e atingia principalmente a camada mais pobre da população.

Com a estabilização monetária em 1994, através da criação do plano real, a inflação passou a ser acompanhada com muita cautela pelas entidades econômicas do país. E, em 2009, foi adotado o sistema de metas de inflação para que as autoridades monetárias conseguissem manter a inflação em níveis sustentáveis, demonstrando a credibilidade do país frente aos investidores. A meta central de inflação para a economia brasileira é 4,5%, podendo ficar dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, de 2,5% a 6,5% ao ano.

Entretanto, a inflação acumulada nos últimos doze meses já ultrapassou o teto estabelecido pelo Banco Central e fechou superior a 8% conforme divulgado pelo IPCA. Essa é a maior alta inflacionária em 11 anos.

Os grandes vilões dessa alta neste ano foram os preços administrados pelo governo federal. A energia elétrica, considerada a principal responsável por impactar na inflação subiu cerca de 60% em 12 meses, já a gasolina, outro produto onde os preços são controlados pelo governo, subiu cerca de 8% somente no primeiro quadrimestre de 2014.

Devido à pressão inflacionaria, o principal mecanismo das autoridades monetárias do país para manter a inflação sob controle é a taxa de juros, a SELIC, que fechou o mês de abril em 13,25% ao ano. Tal medida visa controlar o consumo, já que o credito torna-se mais caro. A elevação da taxa de juros reduz a demanda e conseqüentemente os preços tendem a baixar.

Mas, esse incremento na SELIC, minimiza o crescimento econômico do país, já que o custo de expansão de uma empresa se tornará mais caro, caso ela necessite de crédito. Assim, as empresas que possui capital, preferirão aplicar o dinheiro no mercado financeiro, afinal juros altos garantem um retorno bem atrativo para os investimentos alocados.

Analisando a expectativa em relação à inflação, a tendência é que haja um declínio no segundo semestre, já que a taxa de juros foi elevada e a expectativa é que ocorra um novo aumento. Já o seu controle deverá acontecer somente no próximo ano.

Em suma, percebemos que as autoridades monetárias do país estão a priori preocupadas com o controle das variáveis internas, para depois começar a adotar medidas de retomada do crescimento.

Nosso país necessita voltar a crescer, porém, nossa economia interna deverá apresentar níveis estáveis para que o crescimento possa ser pensando e sustentado em longo prazo. A chave para o crescimento sustentável é o investimento em educação de qualidade e desenvolvimento da competitividade externa das empresas brasileiras a fim de gerar emprego e renda para o país.

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