Independência ameaçada

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by Nilton Ramos
 
 
A CF/88 diz que somos uma Democracia…admitamos, ainda há muito que aprender. Os fatos hodiernos tem nos mostrado o contrário, na verdade uma pseudodemocracia.
 
A situação fica mais lesiva ainda aos olhos da Carta Política quando a maioria da imprensa e seus’articulistas’ se achão os donos da verdade, a ponto de dizerem o que as pessoas devem ler, ouvir, ou assistir na tv, e em um país com mais de 200 milhões de habitantes, e a grande maioria sem acesso à informação por completo.
 
A pretensão de alguns jornalistas mancha tão nobre profissão, pois o repórter é o porta voz da sociedade. O problema é quando esse profissional já está ultrapassado, como um advogado em fim de carreira, que não se atualiza, não se recicla. ‘É o sabe tudo!’ 
O papel desses  profissionais é fazer o que a sociedade não pode. Pois essa não tem tal poder. Todavia, o jornalismo brasileiro parece precisar ser reinventado. Por vários motivos.
Que vão desde a sua independência financeira à de opinião.
 
A dependência do capitalismo não é uma exclusividade das pequenas cidades brasileiras, pelo contrário. O que ocorre aqui, ocorre nas metrópoles, e em maior escala, pois alcança um número maios de leitores. São dependentes de verbas públicas, o que os deixa reféns de determinados grupos políticos.
Essa vinculação contribui negativamente com o crescimento político cultural dos brasileiros. A minoria tem o acesso aos canais de tv paga. Tem opções. E outros a Rede Mundial de Internet, etc.
 
A educação também deve aparecer na ponta deste diagnóstico. Pois ela nos ensina a pensar com a nossa própria cabeça. Deixarmos de fazer parte da massa de manobra. E é justamente esse grande grupo que é explorado e responsável pela imprensa que temos e os governantes corruptos que saqueiam os cofres públicos diariamente.
 
A corrupção que tem os seus representantes no Poder, também alcançou todos os seguimentos, como Legislativo, Executivo e Judiciário, em detrimento do povo oprimido.
 
É comprometedor quando deparamos com um profissional de imprensa, principalmente aqueles que não tiram a bunda da cadeira, ou se escondem atrás de um computador, até mesmo deitado em sua confortável cama, agredir as pessoas por suas preferências, a ponto de adjetivá-las de ‘bestas alienadas…’ entre outros. 
 
É simples ! Se a programação de determinado canal não me agrada, a solução está à minha mão, no controle remoto.
Somos todos livres,apesar de imposições indiretas como essas que deparamos todos os dias nos jornais, ou postadas nas redes sociais pelos jornalistas, verdadeiros dinossauros. 
 
Leio os jornais da minha preferência. E sinceramente, com uma grande atenção crítica ao conteúdo daquilo que é publicado. 
Os jornais das pequenas cidades e/ou os seus repórteres tem a qualidade do seu trabalho prejudicada pela falta de independência da empresa, cujo é colaborador. Pior, diante de casos complexos, por exemplo, e sobretudo envolvendo políticos, policiais, a maioria se acovarda, não escreve se quer uma única linha. Dizem: “Temo pela minha segurança e pela segurança da minha família.” Então esse não deveria mostrar sua carteira funcional de jornalista, não foi isso que aprendeu na faculdade. Não foi lido nos livros que teve acesso. 
 
Nosso país tem vários culpados pelo seu atraso politico e cultural.Os políticos corruptos e os jornalistas que são mantidos pelo dinheiro do político corrupto. 
 
Quando se publica algo, seja na imprensa ou nas redes sociais, o autor tem o dever de compreender que ele pode despertar opiniões diversas. Mas a maioria deles sofre da Síndrome de NUA (Necessidade Urgente de Aparecer). 
 
E quando alguém opina contrário às suas postagens, o sujeito é tão petulante que diz ter pedido opinião. Irônico isso: afinal, por que não posso opinar sua postagem que caiu em minha timeline, se o que ele postara também é a manifestação de seu direito opinativo? 
 
“Profissionais…” como esses chegaram naquela fase vivida por atletas de futebol, em fim de carreira. Sabe que não dá mais, mas insiste na teimosia. 
 
Certa vez, já no meio da minha graduação em Direito, um jovem juiz com apenas 34 anos perguntado o que o motivava a estar em sala de aulas depois de uma da estafante de despachos, audiências e sentenças, ao invés de estar no aconchego de sua casa, sua família, já que a remuneração não era compensatória, respondeu: “Perco a maior parte do meu dia indeferindo pleitos de advogados com o dobro da minha idade para que eles façam a emenda da petição sob pena de seu arquivamento sem julgamento de mérito.”
 
E continuou, ao concluir: “Se nesta turma de jovens graduandos, até mesmo de bacharéis com mais idade que eu, pelo menos dois de vocês já tiverem me ouvido, já me sentirei cumpridor do meu dever.” 
 
Grande parte das ações que não respeita a celeridade processual necessária à ampla prestação jurisdicional é devido à esta advocacia mal acostumada, ou que não admite o novo.
Nilton Ramos
Bacharel em Direito; Pós-Graduado em Direito do Trabalho Lato Sensu; humanista e fundador-presidente da ONG CIVAS – BRASIL.
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