Estelionato eleitoral

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por Nilton Ramos*

Ano que vem os brasileiros voltarão às urnas para votar na escolha de prefeitos e vereadores.

Hodiernamente somos ‘invadidos’ por informações várias, em campos como economia, ciência, educação, saúde, segurança, lazer, e não menos importante, a política.

Na verdade entendo que não há separações. No fim, tudo se resume em políticas e os agentes políticos e públicos.

Esse é gênero, os demais, espécies. Ou elementos acessórios àquele. Tudo depende das políticas públicas e, por óbvio, seus agentes. Não há como desvincular.

Menos de dois anos depois das eleições presidenciais, o tesouro nacional mais uma vez será onerado com a realização de mais um pleito, em todos os municípios desse Brasil continental.

É nas políticas públicas que estacionamos nossas atenções, pois as corrupções, principalmente no meio público, já se tornaram incontáveis, não dá pra elCâmara de Vereadores de Caratinga - MGencá-las.

Foram tantas no passado e continuam tantas no presente, que nosso futuro é incerto.

Mensalão, Lava Jato [em várias etapas], BNDES, Zelotes, mais as CPI’s no Parlamento. Não vale a pena discutir o mérito, mas o destaque para os agentes da Polícia Federal e órgãos do Ministério Público Federal que trabalham incansavelmente para prender os corruptos, levá-los a julgamento, e recuperarem, se não tudo, pelo menos, uma boa e vultuosa parte do dinheiro público surrupiado pelos larápios, membros dessas organizações criminosas.

Paralelo a tudo isso, o Parlamento se vê às voltas em atacar e defender o Governo. Os governistas com argumentos relativamente inconsistentes duelam com os oposicionistas nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, por este ou aquele projeto, pela Medida Provisória, quando o Executivo decide excepcionalmente também legislar, sob a justificativa da urgência e relevância.

Entretanto, é no Legislativo que, regra geral, as leis são produzidas e temos o dever de respeitá-las.

Os brasileiros ainda caminham rumo a uma conscientização política mais apurada, mas contra si, há diversos fatores impeditivos, como a legislação eleitoral, a grande quantidade de partidos e candidatos, a desonestidade da maioria dos candidatos que burlam nosso ordenamento e engolem a ética,  a ignorância, no sentido amplo.

Os eleitores facilmente ludibriados pelos estelionatários políticos [com raríssimas exceções] também tem contra ato dificultoso para suas escolhas, os riscos sociais a que são submetidos pelo capitalismo dessa pseudodemocracia, chamada Brasil.

Em que pesem algumas desastrosas decisões de Magistrados, é cediço que o nepotismo é vedado nos Três Poderes pela Constituição Federal/88.

Há o nepotismo direto, o nepotismo cruzado [aqui como exemplo, o executivo contrata um membro familiar do vereador, e vice-versa. Um contrata o parente do outro].

Em Caratinga, principal cidade-pólo regional, dos 16 vereadores, nove votaram e aprovaram a lei municipal que autoriza o nepotismo no serviço público naquela cidade [foto].

Esse grupo legisla em causa própria. Defende seus interesses pessoais, e não consegue separar o público do privado.

Por certo, tanto no Executivo quanto no Legislativo há membros da parentela daqueles legisladores, que se não praticam o nepotismo direto, obviamente executam o cruzado.

A maioria daqueles mesmos vereadores, como no coronelismo, mantém ‘seus currais’ eleitorais graças aos favores políticos prestados por meio de verbas públicas, como uma conta de água ou luz paga; um vestido de noiva; uma festa de casamento; de quinze anos; crédito no celular; um emprego no serviço público, ou até mesmo, o apadrinhamento na iniciativa privada.

Violam nosso ordenamento e a ética, com práticas de estelionato eleitoral porque são esses favores que lhes garantem o assento em uma das cadeiras do Legislativo, e até o comando do Executivo Municipal.

Também preocupamos com os jovens que votarão pela primeira vez. Se os mais experientes ainda se deixam enganar pela conversa mansa, a boa situação econômica do candidato, as promessas mirabolantes, ou um simples tapinha nas costas, uma carona, não nos resta alternativa que não seja elencar todos esses políticos inescrupulosos que insistem em afirmar respeitadores da CRFB/88, da moral e da ética.

Aos jornalistas, lhes compete refrescar a memória do eleitorado quanto mais próximo das eleições estivermos. O papel da mídia e do verdadeiro profissional, formador de opinião é justamente esse, dentre outros, por óbvio.

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