Empregabilidade: Um compromisso para a vida inteira

A empregabilidade é um compromisso com a própria carreira. É preciso estar atento à algumas questões, manter-se em constante movimento e se guiar por um plano para toda a vida.

Em tempos de crise, com o desemprego atingindo níveis alarmantes nos mais diferentes ramos da economia, ouvimos muitos profissionais falando sobre a importância de envidar esforços homéricos no sentido de manter o emprego. Tal assertiva é verdadeira, obviamente. Por outro lado, ainda mais importante é, efetivamente, ser capaz de construir e manter sua empregabilidade.

Tema dos mais atuais nas discussões sobre carreira, a empregabilidade consiste na capacidade de um indivíduo de se manter ou não atraente aos olhos do mercado. Enquanto o esforço de se manter um emprego depende, no mínimo, de duas partes: empregado e empregador, construir e manter a própria empregabilidade é tarefa que compete unicamente ao profissional, que deve estar ciente desta tarefa e comprometido com o próprio sucesso, sempre atento às mudanças ao seu redor e à dinâmica das demandas vigentes de sua profissão e do mercado no qual atua.

1. Como já dizia a Esfinge: Conhece-te a ti mesmo

A primeira questão quando falamos em empregabilidade é o autoconhecimento. Você se conhece bem o bastante? Por incrível que pareça, a maior parte das pessoas não se conhece como deveria e, não raro, possui visões e conceitos distorcidos a seu próprio respeito. É fundamental e urgente refletir sobre essa questão de maneira madura e autocrítica. Já experimentou fazer uma análise SWOT de si mesmo? Se sim, excelente! Se não, deveria! Há também no mercado, abundância de assessments dimensionados para todos os bolsos, capazes de produzir uma verdadeira radiografia sobre o indivíduo. É revelador e, muitas vezes, serve como um ótimo ponto de partida para essa viagem fantástica rumo à descoberta do nosso eu interior.

2. O que o trouxe até aqui, não o levará até lá

É quase desnecessário falar sobre a importância do desenvolvimento contínuo: estudar de maneira ininterrupta, consumir conteúdos de qualidade, manter-se atualizado e, melhor ainda, sempre buscar aprender coisas novas. Ocorre que tudo isso é importante, mas não é o bastante, pois, diz respeito apenas aos seus hard skills, suas competências técnicas, em outras palavras, o que você sabe fazer. Atualmente, muita gente sabe fazer muita coisa. Isso não mais as diferencia satisfatoriamente umas das outras. O principal fator de desempate entre profissionais tecnicamente semelhantes tem mais a ver com os seus soft skills, suas competências comportamentais, tais como inteligência emocional, relacionamento interpessoal, resolução de problemas, capacidade de comunicação, empatia, resiliência, etc. Muitas pessoas são contratadas por seus hard skills e demitidas por seus soft skills. Pense nisso!

3. Quem tem amigos, tem tudo!

Não é segredo para ninguém a importância de se cultivar um bom networking. A grande maioria das pessoas que obtém êxito profissional, possui excelentes interações pessoais. Isso não quer dizer que a pessoa não precisa possuir méritos, muito pelo contrário, significa apenas que, além de ter os méritos necessários, também é preciso investir numa boa rede de relacionamentos. Faz parte do jogo e não há nada de errado com isso. Ainda devo acrescentar neste tópico, a relevância das redes sociais, que passaram a ocupar um papel central na vida em sociedade. Você não precisa estar em todas, mas precisa estar em alguma e, quando falamos em carreira e empregabilidade, seu LinkedIn está atualizado? Presença digital já deixou de ser uma opção.

4. E você, deixa a vida te levar?

Diante das polêmicas recentes, deu para notar que aposentar-se será tarefa cada vez mais difícil, certo? Questões previdenciárias a parte, aposentadoria não tem que representar morte profissional, por isso mesmo, é preciso ter um plano para se chegar até lá e, preferencialmente, também para ir além. No melhor dos mundos, os planos de carreira começariam a ser escritos já no ensino médio, contemplando todas as etapas da evolução profissional, desde o início. Infelizmente, isso ainda não é uma realidade, mas nada nos impede de começarmos a montar uma estratégia a partir de agora, do ponto em que já estamos.

“A maioria das pessoas não planeja fracassar, fracassa por não planejar” (John L. Beckley)

Por isso mesmo, trace metas e objetivos de curto, médio e longo prazo. Tem que ir tudo para o papel. Desafie-se. Supere-se. Saiba exatamente onde quer chegar. Se surgirem mudanças ou desvios ao longo do caminho, corrija os rumos e continue seguindo, mas guiado por um propósito e não de maneira errante.

5. Pense fora da caixinha, surpreenda, empreenda!

Muitos profissionais têm certeza absoluta de não possuir espírito empreendedor. Bobagem! Empreender não se restringe apenas a abrir um negócio próprio, o que não deixa de ser uma boa ideia. Empreender é não se acomodar, é saber que este mundo não é um lugar de muitas certezas e que estes tempos não são caracterizados por oferecerem garantias e estabilidade, longe disso. Empreender também é descobrir novas formas de fazer o que já fazíamos de outro jeito. É agregar valor através da criatividade. É ser proativo e ir além do previsível. É não se prender àquela velha opinião formada sobre tudo. É estar em constante movimento.

Mesmo o sucesso pode vir a se tornar a pior coisa a acontecer a uma pessoa, caso lhe confira uma falsa sensação de estabilidade. Todo êxito deve ser valorizado, mas mantê-lo e ampliá-lo também devem permanecer no topo das prioridades.

Isso é manter a empregabilidade em dia. Um compromisso para a vida inteira!

Artigo originalmente publicado no portal Administradores.com

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