Empregabilidade I – Conhece-te a ti mesmo

Aprofundando um pouco mais em cada um dos cinco tópicos apresentados no último artigo, “Empregabilidade: Um compromisso para a vida inteira”, inicio aqui, uma série de cinco novos artigos, que pretendo publicar nos próximos dias. Boa leitura!

Aprofundando um pouco mais em cada um dos cinco tópicos apresentados no último artigo, “Empregabilidade: Um compromisso para a vida inteira”, inicio aqui, uma série de cinco novos artigos, que pretendo publicar nos próximos dias. Boa leitura!

Quando falamos em autoconhecimento, por incrível que pareça, adentramos em terreno nebuloso, movediço e, às vezes, até mesmo inóspito. Deveria ser bastante natural falar sobre nós mesmos, saber mais sobre nós mesmos, mas na prática não é assim tão simples. Somos tentados a nos guiar por percepções superficiais sobre as nossas principais características, sejam positivas ou negativas. Na verdade, tendemos a superestimar nossas qualidades e a subestimar nossas imperfeições. É humano, contudo, desenvolver uma percepção mais precisa e madura sobre quem realmente somos, pode não apenas nos poupar de grandes frustrações, como também, nos auxiliar ricamente na definição sobre que caminho devemos seguir para obtermos a verdadeira realização em nossas vidas.

“Se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho o levará lá.” (Lewis Carroll)

Para pensarmos no futuro, todavia, é preciso saber exatamente onde nos encontramos agora. A empregabilidade é influenciada por uma dinâmica própria, que determina o valor de uma pessoa no mercado. Conhecer essas regras, leva ao sucesso, ignorá-las, leva à derrota. Um pré-requisito importante para dominar essa dinâmica é o autoconhecimento e, um bom começo para desenvolvê-lo é pensarmos em nós mesmos exatamente como pensaríamos em uma empresa, reunindo informações vitais para a construção de um plano de marketing pessoal, a saber:

1.   Ferramentas de apoio ao ponto de partida

A Roda da Vida é uma ferramenta de grande utilidade para conhecer-se melhor, possibilitando realizar uma autoavaliação gráfica dos principais aspectos da vida. Para isso, basta atribuir uma nota de 0 a 10 para cada âmbito, sendo 0, péssimo e 10, excelente. A partir daí, é possível identificar que aspectos representam os problemas mais angustiantes e que aspectos representam verdadeiras ancoras para apoiar todos os outros. Caso seja identificado que muitas áreas precisam de aprimoramento, será preciso priorizar o que receberá atenção prioritariamente, contribuindo para alcançar maior equilíbrio nas demais áreas. O título de cada área pode ser adaptado livremente à sua realidade. Experimente fazer este exercício.

Existe ainda, uma grande variedade de recursos que apoiam profissionais e indivíduos na construção de perfis de personalidade, comportamentais e no mapeamento de competências. Muitos deles são chamados Assessments e são capazes de apresentar verdadeiras radiografias de nossas principais características, sejam elas positivas ou negativas. Dentre as ferramentas de avaliação mais conhecidas, temos o DISC, o MBTI, o Eneagrama, Avaliações 360, etc. Não é difícil encontrar ferramentas de uso gratuito na internet, mas as melhores avaliações, no entanto, são pagas e as devolutivas envolvem uma ou mais consultas com um profissional especializado, capaz de interpretar melhor os relatórios gerados.

Uma versão bem simplificada de Avaliação 360 pode ser obtida a partir de um único questionamento, que deve ser respondido por pessoas de seu convívio pessoal e profissional, cuja opinião seja relevante e confiável, a saber:

  • Defina os meus 5 principais pontos fortes e os meus 5 principais pontos fracos, em sua opinião.

De posse das respostas obtidas, faça uma pequena lista com as características apontas e então responda às seguintes perguntas:

a.      O que você sentiu diante de cada ponto forte identificado?

b.      O que você sentiu diante de cada ponto fraco identificado?

c.      De que forma você poderia evidenciar ainda mais os seus pontos fortes?

d.      De que forma você poderia neutralizar ao máximo os seus pontos fracos?

Com base apenas nessas informações, talvez já seja possível perceber a si mesmo por perspectivas muito distintas da forma como nos vemos habitualmente, tendo aí uma pista sobre o que poderá ser feito no sentido de aprimorar-se.

2.   Definição de Missão, Visão e Valores

Ao definirmos nossa Missão, definimos o nosso horizonte, um propósito maior que nos move, algo capaz de nos identificar e nortear o que virá a ser o nosso legado em vida, a diferença que faremos através de nossas ações. Sim. Trata-se de algo grande, até mesmo pretensioso, mas é exatamente assim que deve ser. Estamos falando sobre o que será nossa missão no mundo!

“Quando eu disse ao caroço da laranja que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou estupidamente incrédulo”. (Hermógenes)

Exemplos: “Mobilizar as pessoas para que vivam com plenitude, através de publicações e interações que as inspirem verdadeiramente e as convide à transformação” ou ainda “Disseminar uma cultura de gestão de pessoas, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais agradáveis e sadios, ajudando as empresas a alcançarem os resultados almejados e os clientes a serem atendidos satisfatoriamente”.

Definida a nossa Missão, o próximo passo é projetá-la no tempo, declarando explicitamente como desejamos ser vistos no futuro, portanto, é hora de definir qual será a nossa Visão. A definição da Visão é uma declaração expressa de objetivos, exemplo: “Ser reconhecido mundialmente como influenciador, tornando-se uma referência de excelência nos conteúdos produzidos e de eficácia nos resultados obtidos”.

A declaração dos Valores, por sua vez, indica os sentimentos e princípios que deverão guiar os nossos atos ao longo de nossa jornada rumo à realização da Missão e da Visão, inclusive, definindo limites éticos e morais para a nossa atuação. Cabe aqui o velho ditado segundo o qual “os fins não justificam os meios”, ou seja, não vale tudo para atingirmos os nossos objetivos, muito pelo contrário, queremos sim atingi-los, mas preservando a nossa integridade.

São exemplos de valores: honestidade, respeito, lisura, sustentabilidade, liberdade, tolerância, fé, boa vontade, fidelidade, lealdade, caridade, prosperidade, etc.

3.   Construção da Matriz SWOT

Uma das ferramentas mais conhecidas na construção de Planos Estratégicos, de Negócio ou de Marketing, sem dúvidas é a Matriz SWOT (Strengths, Weakness, Opportunities and Threats) ou, no português, Matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). A popularidade da ferramenta se dá pela simplicidade e eficácia, na identificação de fatores internos e externos que podem interferir no sucesso ou insucesso de um negócio ou indivíduo.

Fatores internos: características e atributos inerentes ao indivíduo que podem contribuir ou prejudicar a realização de seus objetivos: Forças (pontos positivos) e Fraquezas (pontos negativos).

Fatores externos: aspectos alheios ao indivíduo que podem representar Oportunidades ou Ameaças à realização de seus objetivos.

4.   A importância de romper a zona de conforto, mudar e ser percebido

Tomar consciência de seus pontos fortes e fracos é um inevitável convite à ação. Pontos fortes podem ser ainda mais fortalecidos, pontos fracos devem ser neutralizados ao máximo. Todo este processo poderá envolver profundas mudanças de conceitos, hábitos e comportamentos, o que não é fácil e exigirá muito trabalho, planejamento e força de vontade. Essa verdadeira ruptura com nossa zona de conforto é uma decisão individual, entretanto, pessoas comprometidas com a própria empregabilidade, não podem se dar ao luxo de padecer sob a Síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim”.

Esquivar-se da renovação é renunciar à possibilidade de descobrir novos caminhos e oportunidades, é perder o bonde da evolução e do amadurecimento pessoal e profissional. Rejeitar a mudança, acima de tudo, é uma demonstração de egoísmo, uma vez que privamos a todas as pessoas que convivem conosco de conhecerem a melhor versão de nós mesmos, o que é um enorme desperdício.

Falando nessas mesmas pessoas, fica claro que um dos propósitos de mudar, é justamente ser percebido por isso. É preciso mudar para que a mudança seja percebida, mas às vezes é preciso comunicar que estamos passando por uma transformação, pois, assim como tendemos a nos apegar a antigos conceitos e paradigmas, as pessoas também se apegam a conceitos que formaram sobre nós, o que torna difícil que mudanças sutis, por exemplo, sejam percebidas de imediato. Cabe a nós envolve-las neste processo, mudando também a forma como somos percebidos e as expectativas que são criadas sobre nós. Mudar é algo tão poderoso que, frequentemente, inspira os outros a mudarem também, dando início a uma verdadeira reação em cadeia!

Por fim, não podemos negar o devido crédito aos valorosos trabalhos realizados por profissionais como Coaches e Psicoterapeutas nessa fascinante tarefa de guiar os indivíduos em suas jornada de autodescoberta e transformação.

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