Em três tempos

0
439
Morales presenteia Papa Francisco. Foto Reuters/Osservatores Romano

por Nilton Ramos*

Primeiro Tempo: Latrocínio em plena luz do dia registrado na estação de Uruguaiana do metrô, no Rio Janeiro. Os dados são do 5º BPM da PMRJ, localizado [ironicamente] na Praça da Harmonia.

Um homem identificado apenas pelo primeiro nome, Alexandre, de 46 anos, foi baleado duas vezes e morreu no local. Outra pessoa, Diogo Muinos, 34 anos, foi atingida por estilhaços.

A polícia investiga os crimes, e entre as hipóteses,  Alexandre teria sido vítima da ‘saidinha de banco.’  

MetrôRio, responsável pela administração do metrô informou que pelo menos três homens abordaram Alexandre na fila de uma lotérica, e arrancaram dele sua bolsa tiracolor.

Não pretendemos desviar o foco de nossa discussão para outras questões quanto à quem compete responsabilidade de zelar pela segurança da estação carioca e de seus usuários, bem como das pessoas que naquele lugar trabalham.

Repudiamos com todas as nossas forças a insegurança e a ausência do Estado que dominam os brasileiros, provocando pânico e terror nos cidadãos de bem, carecedores de respeito aos seus direitos fundamentais.

Quaisquer índices de violência que consultarmos, indicarão que o período noturno lidera a maior incidência de violência, principalmente nas grandes metrópoles brasileiras.

Entretanto, causa repulsa o cometimento de um latrocínio, roubo seguido de morte em plena luz do dia [às 13h], e em um local público. Presumidamente, vigiado por sistema de segurança, por vigilantes particulares e pela própria PMRJ.

Aquele local é de grande rotatividade de pessoas. O dinheiro circula por lá. Há lotéricas que prestam praticamente todos os serviços que um banco tradicional oferece.

Por que tanta ousadia de criminosos?

Morales presenteia Papa Francisco. Foto Reuters/Osservatores Romano
Morales presenteia Papa Francisco. Foto Reuters/Osservatores Romano

Segundo Tempo: Na visita que o Papa Francisco faz à América do Sul, o pior veio da Bolívia. O presidente Evo Morales ‘presenteou’ o pontífice com Cristo crucificado em uma cruz de madeira cunhada com símbolos do comunismo [foice e um martelo].

As imagens correram o mundo, e leitura labial mostrou o Papa Francisco dizendo ‘Isto não está certo.’

Evo Morales afirmou que  o presente era uma criação de um jesuíta, Luis Espinal, morto em 80 por paramilitares de direita, durante o golpe militar de Luis García Meza, preso por crimes contra direitos humanos.

Atitude do presidente boliviano pode ser encarada por vários aspectos, mas certamente, blasfêmia e sacrilégio deverão constar em todas as análises cristãs.

O que o dinâmico e revolucionário Papa Francisco fará com o presente de Morales?

Terceiro Tempo: Depois da Copa América, vencida pelo anfitrião Chile, na decisão contra a favorita Argentina, nos pênaltis, a CBF [ Confederação Brasileira de Futebol] promoveu um encontro de ‘notáveis’ do esporte para discutir o futuro da Seleção Brasileira.

Eliminada nas Quartas-de-Final pelo Paraguai, o time comandado pelo treinador Dunga ‘perdeu’ a oportunidade do clássico nas Semifinais enfrentar Argentina, de Messi.

Neymar Jr. banido da competição por agressão a colombiano, e ao árbitro da partida, foi expulso, partiu para sua mansão no Brasil.

Os críticos insistem em amenizar a situação do ‘mimado’, afirmando que situações pessoais podem ter causado prejuízos psicológicos ao jogador do Barcelona. Referiam ao problema que o atacante enfrenta com o fisco por conta de sonegação de Imposto de Renda, ainda da sua transferência para o clube catalão.

Cada um acredita naquilo que quer. Eu vi um Neymar Jr. sem interesse algum de estar na Copa América. Estar na Europa, ser campeão por lá,  a riqueza e fama lhe subiram à cabeça.

O capitalismo ou a mercantilização do esporte mudou tudo. Jogar por amor à camisa é coisa do passado, e quando algum atleta diz isso, não me deixo iludir.

A Copa que o Brasil vendeu para Alemanha. A Copa América do Chile que Neymar Jr. encarou como ‘uma pelada de várzea’ e tratou logo de pular fora não nos deixam alternativa.

Não que seja discurso apocalíptico, mas longos anos se passarão até que o futebol brasileiro reconquiste o respeito de outrora. A palavra de ordem tem sido dinheiro. A FIFA é movida à propina.

Seleção Brasileira com Neymar Jr.,  ou sem ele?

Compartilhe