Foto: Fernando Frazão

“Desconfie toda vez que alguém disser que existe a ameaça de um golpe comunista” já dizia, minha professora.

Ao estudarmos um pouquinho da nossa História entendemos que toda vez que essa frase começa a ser veiculada entre os líderes nacionais e a imprensa, significa que estamos correndo o risco de uma tomada de poder pelos setores autoritários da sociedade.

Em 1964 não foi diferente, a imprensa uniu-se aos militares e aos grandes empresários do país, contra o presidente João Goulart, utilizando-se do argumento de que ele estaria arquitetando uma ditadura comunista, junto com os governantes chineses e cubanos.

Através de um golpe militar, apoiado por alguns setores sociais, João Goulart foi tirado do poder e os militares assumiram o governo, onde ficaram até o processo de redemocratização 21 anos mais tarde.

Durantes mais de duas décadas seguidas, não houve eleições para presidentes no Brasil, e os instrumentos democráticos foram sendo aos poucos suprimidos. Governava-se através dos Atos Institucionais, instrumentos totalmente antidemocráticos, que permitiam que o presidente, sem a aprovação de ninguém, baixasse um decreto hoje e ele já fosse válido amanhã. Ao longo de todo Regime Militar foram 17 atos institucionais, sendo o pior deles o AI-5, que legalizou e institucionalizou a censura, a tortura e deu fim ao Habeas Corpus, abrindo caminho para os anos que ficaram conhecidos como “Anos de Chumbo”, tamanha repressão vivida.

A Comissão Nacional da Verdade, órgão criado em 2011 para investigar as mortes e desaparecimentos ocorridos nas ditaduras brasileiras, conseguiu provar que 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante estes regimes.

Com bases nesses dados conclui-se que um povo que sai às ruas pedindo a volta do AI-5 é um povo que não conhece a sua História e um governo que chama torturadores de herois nacionais só pode ter interesses escusos. Desde a redemocratização nunca tivemos tantos militares ocupando altos cargos do governo. Todas as vezes que tivemos militares ocupando altos cargos do governo, tivemos ditaduras.

Enquanto o povo brasileiro segue polarizado, disputando quem está certo ou errado, as autoridades se mostram cada vez mais autoritárias e antidemocráticas. É preciso deixar de lado as divergências políticas, em nome da união pela democracia, antes que seja tarde demais.

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Sou mineira de nascimento, baiana de coração. Tenho 29 anos, sou casada. Historiadora e apaixonada pela docência. Acredito na educação como principal instrumento de transformação social.