Início Colunistas Cosmologia política: que a supernova petista não se torne um buraco negro

Cosmologia política: que a supernova petista não se torne um buraco negro

Por Marcus Pimenta

De acordo com a Wikipédia, supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. No caso do PT, 12 anos. Houve até quem se referisse à trajetória do PT como à de uma estrela cadente, mas, a descrição acima me faz pensar no ciclo de vida de uma estrela, que atingiu o seu ápice em 2002, com a eleição de seu maior expoente ao cargo de Presidente da República e que, após um curto período de brilho extremado, declina rumo à completa invisibilidade.

Na última semana estive ausente da coluna devido a compromissos que me impediram de dedicar o tempo necessário para compartilhar minhas opiniões acerca dos inúmeros acontecimentos de nossa conturbada ciranda política, mas eu estava lá! Acompanhando os noticiários com a costumeira assiduidade.

Um dos pontos altos da semana foi, com certeza, o divertido, todavia trágico, discurso da Presidente Dilma Rousseff, no qual houve saudação a mandiocas, para ela “uma das maiores conquistas dos brasileiros” e inovações científicas que subdividiram a espécie homo sapiens numa nova categoria, a das mulheres sapiens, da qual, muito provavelmente, temos a nossa folclórica presidente da república como única representante. Difícil definir se falas como essas são oriundas de psicotrópicos, psicopatia, vigarice ou todas as anteriores.

Fato é que nada disso foi capaz de abafar o que houve de mais relevante no que diz respeito à presidente recentemente, a delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC. O empresário revelou pagamentos na ordem de R$ 31,7 milhões aos petistas, sendo 7,5 milhões para a campanha de Dilma de 2014 e 2,4 milhões para a de Lula em 2006.

Outro fenômeno notório e decadente é a tentativa desesperada de descolar a imagem do criador, Lula, de sua criatura, Dilma e até mesmo do partido dos trabalhadores. Uma série de declarações do ex-presidente causou desconforto aos seus correligionários e à própria presidente Dilma. Não é pra menos, num momento de ato falho, ou de pura estratégia de marketing pessoal, Lula afirmou que seu partido só pensa em cargos, em emprego e em ser eleito. E foi além:

“Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença. Hoje nós precisamos construir isso porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça. […] O PT precisa urgentemente voltar a falar pra juventude tomar conta do PT. O PT está velho. Eu, que sou a figura proeminente do PT, já estou com 69 (anos), já estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que eu falava em 1980. Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna, colocar gente nova, mais ousada, com mais coragem. Temos que decidir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos, ou queremos salvar nosso projeto. E acho que nós precisamos criar um novo projeto de organização partidária nesse país.”

As declarações acima surgem justamente num momento no qual o ex-presidente é nominalmente associado à Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, quando influentes empreiteiros da Odebrecht e da Andrade Gutierrez estão sob prisão preventiva e o próprio Lula e pessoas próximas esperam que o mesmo possa ser preso a qualquer momento, dado o rumo das investigações. Até mesmo um pedido de Habeas Corpus preventivo foi impetrado por um petista que alegou nada ter a ver com o ex-presidente. Oficialmente, no entanto, ninguém admite que o ex-presidente seja alvo de investigações da operação Lava-jato até o presente momento. Quem não deve, não teme.

Os números não aliviam a vida dos petistas. As recentes pesquisas de popularidade mostraram um cenário caótico para os governistas. Dilma é a presidente mais impopular desde Collor no pré-impeachment. Diante da crise generalizada instalada no país, não há perspectivas de reversão destes resultados. Lula classificou o momento vivido por ele, Dilma e pelo partido dos trabalhadores, como “volume-morto”, que em outras palavras, quer dizer fundo do poço. Mas engana-se quem pensa que não possa piorar. A quem atingiu o fundo do poço, só resta o caminho de volta e eles ainda não chegaram a essa posição. Há muito que piorar. Suas biografias e o futuro do partido dos trabalhadores estão em cheque como jamais estiveram.

Lula pode ser preso por envolvimento no maior escândalo com dinheiro público da história da humanidade. Dilma pode ser cassada por suas recorrentes pedaladas fiscais ou por ter recebido dinheiro sujo em suas campanhas. O PT pode ser extinto pelo conjunto da obra, ou simplesmente largado à morte por inanição.

Recorrendo uma vez mais à Teoria Geral da Relatividade, um buraco negro é uma região do espaço da qual nada pode escapar. É o resultado da deformação do espaço-tempo, causada após o colapso gravitacional de uma estrela, que desaparecerá dando lugar ao que a física chama de singularidade.

Que a estrela petista ruma ao ostracismo creio ser um consenso compartilhado pelos próprios petistas. O que não sabemos é o que será levado junto no vácuo do desaparecimento de uma das maiores legendas da história recente do Brasil. Sua capilaridade em todos os níveis da máquina pública brasileira é inegável. E o seu fim poderá variar entre o melancólico e o desastroso.

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Marcus Pimenta
Administrador de Empresas, MBA em Gestão Empresarial, Consultor e Coach Executivo com viés em carreiras, gestão de pessoas, desenvolvimento de líderes e de equipes sinérgicas. Articulista e palestrante​.

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