Consciência de classe, qual o seu lado na sociedade

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Quem sou eu na sociedade, qual o meu lugar, o que me representa, quais os meus ideais? Todas essas perguntas nos ajudam a refletir sobre um termo muito utilizado nos últimos tempos : “consciência de classe”.


Esta expressão é amplamente utilizada nos estudos da sociologia, e ajuda a definir a forma como nossa sociedade se organiza, sendo possível compreender como a falta de noção de onde nos posicionamos dentro da sociedade pode nos ser extremamente prejudicial. Um exemplo claro e real é quando a classe trabalhadora, que necessita de auxílio para transporte elege para deputado federal um empresário que se nega a oferecer o auxílio transporte para seus funcionários, forçando-os a recorrerem à justiça do trabalho para fazer valer seu direito. Ludicamente falando, é o mesmo que a chapeuzinho votar no lobo mau para a representá-la. 


A classe média brasileira tem se confundido constantemente quanto ao seu lugar na sociedade. Microempreendedores e trabalhadores, muitas vezes, se veem como elite, porém estão do lado mais vulnerável da sociedade. A crise provocada pelo COVID-19 evidencia claramente essa ideia: como estas pessoas estarão daqui a três meses caso não tenham um fluxo contínuo de renda? Qual a posição social e financeira da classe média perante esta crise?


As vezes pensamos que assistencialismo não é necessário. Muita gente critica o “bolsa família”, mas recorreu ao auxílio de 600 reais oferecido pelo governo. E não encare isso como uma crítica por minha parte, mas sim como um convite para reflexão. Cada um sabe sua necessidade, e sim, se você necessita de um auxílio para manter suas despesas, mais uma vez você está do lado mais vulnerável. Refletir sobre isso é refletir sobre consciência de classe.


Nosso país foi loteado pelos portugueses e desde o período colonial a elite impera. Muitas das famílias mais ricas do nosso Brasil mantém sua fortuna desde esse período, e não há mal nenhum em, por exemplo, querer taxar grandes fortunas. A ideia da meritocracia é tão hipócrita quanto o voto da chapeuzinho vermelho no lobo mau.


Gostaria de destacar que vivemos em um dos países mais desiguais do mundo, cheio de bolsões de pobreza, onde meninos pobres e velhos sem recurso jogam areia para tapar buracos lá nas estradas do nordeste, na esperança de alguém jogar moedas para retribuir pelo trabalho feito, e fazem isso por que o desenvolvimento não chega lá. Não vi isso na tv, vi isso com meus olhos e isso parte meu coração.


Sejamos mais irmãos brasileiros e menos juízes, fazendo uma alusão ao meu último artigo, e estejamos sempre dispostos a compreender que o nosso lado deve ser o lado da justiça e do bom senso e que a consciência de classe possa ser um dos pilares do pensamento de cada cidadão brasileiro.