Como as mudanças climáticas deverão afetar o Brasil?

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Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) traçam quatro novos cenários climáticos para a América do Sul

Como as mudanças climáticas deverão afetar o Brasil? Esta foi uma das perguntas que norteou o trabalho da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que traçaram quatro novos cenários climáticos para a América do Sul, América Central e Caribe – em trabalho desenvolvido e validado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – capazes de refletir os efeitos de média e alta intensidades de emissões de gases do efeito estufa nas próximas décadas.

As projeções demonstram indicadores de extremos climáticos, a distribuição de frequência de temperatura e a precipitação em recortes temporais de 2011 a 2040, 2041 a 2070 e 2071 a 2100. De acordo com a pesquisadora do Inpe Chou Sin Chan, a Amazônia apresenta sensibilidade às mudanças climáticas. Veja a íntegra da entrevista publica pela SAE/PR:

O que são os modelos regionais?
Modelos regionais são modelos matemáticos que simulam a atmosfera em uma região específica, contrário aos modelos globais, que simulam para todo o globo.

Qual o principal ganho desse tipo de modelo?
Por simularem a atmosfera em uma área menor que o globo, podem utilizar grades de tamanho menores que os modelos globais e, portanto, dar maior detalhamento na área de interesse com custo computacional equivalente ao dos modelos globais.

Qual a diferença entre as projeções trabalhadas?
Foram utilizados os modelos globais MIROC5 e HadGEM2-ES, e o modelo regional climático Eta. O MIROC5 é a versão 5 do modelo desenvolvido em cooperação entre diversas instituições japonesas. O modelo possui resolução espacial na atmosfera de cerca de 150 km. O HadGEM2-ES é o modelo desenvolvido pelo centro britânico Hadley Centre. É um modelo de categoria “Earth System”, pois inclui a representação do ciclo de carbono e vegetação dinâmica. A resolução deste modelo é de cerca de 1,875 graus na direção norte-sul e de cerca de 1,25 graus na direção leste-oeste. O modelo regional climático Eta foi desenvolvido no INPE para produzir regionalização das simulações dos modelos globais. A resolução utilizada pelo modelo regional Eta sobre América do Sul e América Central foi de cerca de 20 km. Uma versão em 5 km foi desenvolvida e utilizada para gerar projeções com maior detalhamento sobre a região Sudeste do Brasil.

Como o clima está projetado para mudar no futuro? O que ocorrerá com a Amazônia?
As projeções são de aquecimento global. A Amazônia apresenta sensibilidade às mudanças climáticas. No final do século, chega-se a aquecimento de cerca de 8 graus [Celsius] na Amazônia, em cenários de modelo RCP 8,5.

E o padrão de chuvas?
Em geral, as projeções geradas indicam redução das chuvas no verão, na parte central do país, e aumento das chuvas na região Sul do país.

Qual a média de aumento de temperatura no Brasil esperada por esses modelos?
Por exemplo, para o verão na região da Amazônia, o aumento de temperatura projetado para até o final do século é de cerca 3 a 8 graus Celsius, enquanto que, para a região Centro-Sul do país, o aumento é ligeiramente menor, de cerca de 1 grau a 7 graus Celsius. O Nordeste apresenta menores taxas de aquecimento nestas projeções, de cerca de 2 a 6 graus Celsius.

Quais são as mudanças projetadas?
Além das mudanças das chuvas – por exemplo, redução na parte central do país durante o verão e aumento das chuvas no Sul em todas estações do ano – e do aumento de temperatura generalizada, espera-se também que os eventos extremos ocorram mais frequentemente e com maiores amplitudes.

Chou Sin Chan possui graduação em Meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985), mestrado em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (1990) e doutorado em Meteorologia pela Universidade de Reading, Grã-Bretanha (1993). Atualmente é pesquisadora titular III do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Tem experiência na área de Meteorologia, com ênfase em Modelagem Atmosférica, atuando principalmente nos seguintes temas: modelo Eta, previsão de tempo, modelo de área limitada, parametrização de convecção cumulus, avaliação de modelo, modelagem climática regional, geração de cenários de mudanças climáticas sobre a América do Sul. Participa no IPCC como coautora no WG1 do AR5.

Fonte: http://www.sae.gov.br/site/?p=26234#ixzz3Kq1cB6Lk

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