Brasil: Nação soberana ou anão diplomático?

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Por Marcus Pimenta

É com grande pesar que assistimos hoje a mais um triste capítulo na escalada ditatorial da Venezuela sob o tiranete Nicolás Maduro. Infelizmente não podemos nos mostrar surpresos. Seria surreal que tal empreitada obtivesse sucesso sem que houvesse algum infortúnio. Felizmente não terminou em tragédia.

Uma comitiva oficial liderada pelo Senador Aécio Neves e pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e constituída por outros seis senadores brasileiros visitou o país hoje em missão humanitária, defendendo a libertação dos presos políticos e clamando pela definição da data das eleições parlamentares no país, fiscalizada por organismos internacionais.

O avião da Força Aérea Brasileira pousou em solo venezuelano e os políticos brasileiros foram recebidos pelas esposas dos presos políticos, Lilian Tintori (esposa de Leopoldo López), Mitzy Capriles (esposa de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas), Patricia de Ceballos (esposa de Daniel Ceballos) e a deputada cassada María Corina Machado. Também o embaixador do Brasil na Venezuela esteve rapidamente no local, curiosamente evadindo-se em seguida e deixando a delegação brasileira por conta própria. Os integrantes da comitiva foram colocados num ônibus e seguiram para a prisão onde Leopoldo Lopes faz greve de fome há 20 dias.

O comboio, entretanto, não conseguiu evoluir em seu objetivo, uma vez que se encontrou cercado por manifestantes pró-Maduro que não satisfeitos em entoar gritos de guerra e ofensas contra os brasileiros, investiram contra o veículo em que eram transportados, desferindo golpes e pedradas. Além disso, diversas vias estavam fechadas, impedindo o acesso do caminho ao presídio.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que “eles [manifestantes] foram claramente pagos pelo governo” e à reportagem da Folha de São Paulo, um dos agentes da Polícia Nacional Bolivariana admitiu haver uma ação orquestrada para bloquear a passagem do veículo: “É evidente que é uma sabotagem. Quando vem uma autoridade estrangeira, nós os escoltamos em fluxo, contrafluxo ou em qualquer circunstância”, afirmou sem se identificar, dando a entender que a escolta poderia passar por qualquer eventual bloqueio.

Para Aécio, também é difícil que os tristes acontecimentos de hoje tenham advindo sem a ciência e o sufrágio do governo federal: “Nós fomos sitiados e impedidos de cumprir o objetivo da nossa missão. Isto é um claro incidente diplomático, e vamos exigir que a presidente Dilma convoque para consultas o embaixador em Caracas e tome outras providências cabíveis diante dessa situação lamentável”, afirmou.

Manifestações de repúdio ao ocorrido foram feitas simultaneamente na Câmara e no Senado e ambos, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, exigiram uma reação imediata e altiva por parte do Itamaraty e da presidente Dilma Rousseff. O incidente de hoje, acaba por abrir uma grande oportunidade para que todos os brasileiros finalmente comprovem, através do posicionamento do governo, se ainda há soberania neste país, o que exigirá que sejam tomadas duras medidas contra o governo venezuelano, ou, se estamos fatalmente subordinados à agenda ideológica que alinha o governo de cá ao de lá, ratificando as agressões, que não foram apenas contra os oito senadores que lá estiveram, mas contra o próprio Brasil, por eles ali representado, justamente onde os governistas, preferiram omitir-se.

Se ainda resta alguma dignidade ao governo petista, algum apreço às instituições democráticas e respeito ao povo brasileiro, a resposta mais branda a ser dada diante de tamanha afronta é a retirada imediata da Venezuela do grupo de países que compõe o MERCOSUL, bloco no qual foi incluída por ensejos estritamente ideológicos.

É preciso saber e saberemos neste episódio, se o Brasil é uma nação soberana ou é, como já dito anteriormente, apenas um anão diplomático.

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