Vale do Aço do Ferro e Fogo

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Vale do Aço Violento. Foto: Diário do Aço

por Nilton Ramos*

Não dá mais pra aguentar. Muito menos ‘tapar o sol’ com a peneira e enganar cidadãos com índices de violência e criminalidade que não condizem com a verdade.

As instituições responsáveis legalmente pela garantia da lei e da ordem não tem tido competência capaz de frear a escalada desta carnificina humana na Região Metropolitana do Vale do Aço, e nas cidades que compõem o colar metropolitano.

Números são manipulados. Todavia, os fatos noticiados pela imprensa e/ou os corpos de jovens e adultos estirados ao chão, ensanguentados e já sem vida, derrubam qualquer tentativa de ’embromaichon.’ 

Falar em furtos, roubos, e outros crimes não seriam suficientemente necessário, diante do número de crimes de sangue ocorridos, principalmente, nas três principais cidades do Vale do Aço, Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo.

Me contento em discutir concretamente dois casos de homicídios. Um garçom morto em Fabriciano, no bairro Caladinho de Baixo, com seu corpo com várias perfurações por arma branca.

E um rapaz de apenas dezoito anos, abatido a tiros em plena luza do dia, em um dos bairros mais violentos da periferia de Ipatinga, Esperança.

No primeiro caso, a vítima um garçom, Maykhel Araujo Soares Santos,  34 anos, que deixou filha e esposa. Neste macabro caso, segundo levantamentos da própria PMMG, não havia nenhum registro criminal que pesasse contra o assassinado.

No segundo caso, não menos grave que o primeiro, envolve Tayrony Vildes Gomes, morto com dois tiros, tendo como suspeito, o cabo da PMMG, Wagner Anacleto Silva, do 14º Batalhão de Ipatinga.

Há suspeitas que a vítima teria participado de roubo de uma moto, mas as investigações apontam não haver ligação entre os fatos.

O policial, preso no 14º BPMMG foi visto saindo do local do crime, e ele teria se desentendido minutos antes com Tayrony.

Policiais, preparados por meses ou ano para depois sair às ruas para garantir a lei e a ordem, como a segurança dos cidadãos, que são pagos com dinheiro público envolvidos em crimes brutais como esse e outros já não é novidade.

A situação ganha proporções mais graves porque esses ‘homens da lei’ são teoricamente capacitados para proteger vidas, e não ceifá-las, salvo legítima defesa própria e/ou de terceiros, no cumprimento do seu dever legal, por certo.

Mas como não são casos isolados, o quadro que envolve segurança pública, participação de policiais em homicídios e impunidade tem como consequência, a instalação do terrorismo institucionalizado na Região Metropolitana do Vale do Aço.

Não se trata de pré-julgamento. Longe de tal hipótese e acusação. Mas discutimos com base nos fatos dos últimos anos, sem, contudo, generalizar a situação, pois, seria leviano de nossa parte afirmar que todos os policiais são assassinos e corruptos.

Falamos da famigerada ‘banda podre.’ E há várias bandas podres, em todos os poderes [setores] públicos.

Como ficamos, nós, cidadãos, administrados, em meio a tudo isso? Aqueles que vivem do crime, como os narcotraficantes, os matadores de aluguel, e quaisquer formas de violências, certamente devem ser combatidos nos rigores da lei.

Para isso, dependemos das autoridades constituídas, pois, a segurança é um dever do Estado, um direito do cidadão. Precisamos confiar nos policiais honestos, éticos e cumpridores do seu papel legal.

Não podemos ao ser ameaçados ou roubados por um criminoso, ter medo de chamar a polícia. As autoridades constituídas são dignas de nosso respeito e confiança, mas com ressalvas, pois há sempre uma maçã podre no fundo do caixote, que se não extraí-la, certamente contaminará umas e outras, em detrimento dos homens de bem, que dedicam sua vida à proteger e/ou garantir a nossa.