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Apesar da crise…

Crise! Essa é a palavra que mais tenho ouvido ultimamente. E, repare, que moro fora do país! Basta procurar notícias sobre o Brasil que logo aparece: crise! Seja na imprensa brasileira ou internacional.

Crise, crise e mais crise!

É fato que, estando de fora do país, tenho o benefício do distanciamento, o que me proporciona uma percepção em 3D da situação atual. Permitam-me uma analogia com a minha profissão, nós psicólogos também nos submetemos à terapia, pois aquele que está de fora tem uma perspectiva mais ampla e percebe melhor o que se passa comigo, ainda que sejamos especialistas no mesmo assunto.

Voltando à crise, vejo americanos e outros indivíduos de diferentes culturas comentando, ou melhor, reproduzindo por aí o que leem nos noticiários. Não que estejam certos ou errados, mas se já é difícil pra nós, brasileiros, tentarmos explicar ou entender o que se passa, imagina pra quem sequer sabe como isso tudo começou. Fico aqui me perguntando como os historiadores vão contar esta parte da nossa história…

É praticamente impossível para mim, tendo esta possibilidade, não fazer uma comparação entre o comportamento de brasileiros e americanos (generalizando, claro), afinal, meu objeto de estudo é o comportamento humano e me impressiona, cada dia mais, a capacidade de resiliência que nós, brasileiros, desenvolvemos. Provavelmente, devido às dificuldades econômicas, pela disputa no mercado de trabalho, pelo acesso restrito a bens o qual os americanos tem com mais facilidade. Enfim, quanto mais convivo com outros povos, mais me encanto e admiro meu povo brasileiro.

Somos um povo peculiar, diferente de tudo que já vi e convivi. Corrupção, crise, violência, carnaval, futebol, desemprego, tecnologia. Tudo junto e misturado. É tanta diversidade que parece que estamos falando de vários países. Entretanto, eu consigo descrever o povo brasileiro em uma palavra apenas: RESILIÊNCIA!

Pense em um povo que dá nó em pingo d’água. Pense em um povo que passa pelas maiores provações que podemos suportar e continua seguindo em frente, buscando saídas, criando possibilidades onde nem parecem existir. Não estou aqui falando da parte “podre” brasileira, a que me envergonha. Estou falando da maior parte, a que me enche de orgulho de falar de onde vim. A parte que luta, apesar de tudo. A que segue em frente e ainda acha um “jeitinho” de colocar um sorriso no rosto. Eita povo…

Por falar em jeitinho, até o famoso “jeitinho brasileiro” tem lá seu lado ‘B’. Pra mim, o outro lado do “jeitinho brasileiro” foi a forma que encontramos de viver com dignidade em uma terra em que nada está dado. Somos filhos da mãe (pátria amada) boa, aquela que parece ser a mãe má porque não oferece facilidades e, com isso, obriga-nos a aprender a encontrar outras possibilidades, ela nos obriga a saber consertar o que quebrou ao invés de jogarmos fora e esperar por um novo fácil, rápido.

Fomos treinados a encontrar saídas. Sabe aquela casa em construção que muito se parece com a casa em ruínas, mas seguem caminhos opostos? É assim que vejo a situação do Brasil hoje, a casa em construção.

Sou Brasileira, irremediavelmente apaixonada pelo meu Brasil. Treinada a fazer enfrentamentos, a sorrir mesmo querendo chorar, a não desistir antes da milésima primeira tentativa, a usar o “jeitinho Brasileiro” (lado B) a meu favor quando tudo parece perdido. Não sou uma otimista “desinformada”. Só não permito que crise, governo, situação política, econômica, tempo e pressão determinem o rumo que darei à minha vida. Concordo com Nelson Rodrigues quando disse: “ser ou não ser vira-latas, eis a questão.” O que falta em nós? Deixarmos o complexo de vira-latas de lado e percebermos a grandeza que temos em nós. Somos um povo grande, enorme. Saí do Brasil pela primeira vez bem antes da tal “crise” ganhar as páginas do mundo e é bem no meio da tal “crise” que estou voltando.

Sabe o que espero deste ano que inicia? Nada. Não espero que ele faça nada por mim. Eu é que farei, com ou sem crise… com sangue nos olhos. Apesar da crise, here I go, Brasil!

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Jane Kareninahttp://www.janekarenina.com/
Psicóloga Clínica, Coach-Psychologist, Palestrante e criadora dos Programas Diva no Divã / Empoderamento Feminino e 4EverFit / Beyond Diet Recipies. Sou uma apaixonada pelo desenvolvimento humano, empoderar pessoas é minha arte. Sou especialista em Terapia Comportamental (PUC/MG) e em Coaching-Psychology (HARVARD UNIVERSITY / Boston - USA).

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4 COMENTÁRIOS

  1. Perfeito Jane! É isso ai. No lugar de esperar um 2017 diferente, devemos esperar que as nossas atitudes sejam diferentes. E vamo que vamo..
    Bjoss

Comentários estão fechados.

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