A qualidade do jornalismo contemporâneo

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por Nilton Ramos*

O jornalista investigativo e/ou político, presume-se, sabe da necessidade de se apurar com acuidade todas as informações lhe passadas pelo seu informante.

Levantar provas materiais, ouvir todas as partes. Precisamos frisar que jornalista não é policial, e muito menos, a maioria que conheço, não é sabedor do Direito em si.

A situação se complica muito quando os ‘investigados’ tem poder, e usam a máquina estatal a seu próprio serviço, inclusive para praticar crimes e encobri-los.

Situações acontecem em todos os setores da sociedade [em todos os Poderes]. A pergunta é: em quem confiar? E mais, principalmente as empresas de comunicação do interior [não conheço nenhuma] não oferecem uma estrutura razoável de cobertura ao seu profissional investigativo.

Por isso estamos todos sujeitos à uma imprensa ‘marrom’, sem qualidade nas suas informações, a profissionais corruptos e/ou que sobrevivem de verba pública repassada indevidamente como objeto de troca, que compram seu silêncio, a sua omissão.

Seguramente há muita poeira debaixo do tapete. Não nos esqueçamos dos profissionais experientes, tarimbados, que tem perdido espaço para os mais ‘baratos’, os recém-formados que trabalham por salários menores, e não são questionadores, e que ainda sonham com a fama mediante a busca pelo famigerado furo.

Jornalista Rodrigo Neto foi executado no Vale do Aço há mais de três anos em crime que guarda ligação com sua profissão de radialista. Ainda não foi totalmente esclarecido.
Jornalista Rodrigo Neto foi executado no Vale do Aço há mais de três anos em crime que guarda relação com sua profissão de radialista. Ainda não foi totalmente esclarecido.

Não há uma organização de profissionais da imprensa que possa protegê-los, auxiliá-los e até a formação de uma rede de proteção nacional dessas voluntariosas e corajosas testemunhas oculares da história.

POLÍCIA CENSURA JORNALISTAS EM SÃO PAULO  – Como não poderia deixar de ser, a Polícia Militar de São Paulo continua cada vez mais truculenta e violadora dos direitos humanos.

Em meio a duas chacinas que executaram 27 pessoas em menos de 60 dias, na Grande São Paulo, nas cidades de Osasco, Barueri e Carapicuíba, e que quase dez policiais já foram presos por suspeita de envolvimento com grupos de extermínios e com as mortes na Região Metropolitana, com uso de ações idênticas [modus operandi] e utilização de armas de grosso calibre, as vítimas agora são os jornalistas.

Caio Castor é violentamente impedido pelo policial militar de trabalhar durante ato público. Foto: Vinicius Gomes.
Caio Castor é violentamente impedido pelo policial militar de trabalhar durante ato público. Foto: Vinicius Gomes.

Durante manifestação de profissionais da educação, alunos e comunidade escolar contra o fechamento de escolas pelo governador Geraldo Alckmin [PSDB] os policiais impediram violentamente que os jornalistas registrassem as ações truculentas e criminosas dos fardados.

Apesar do direito de resistência a uma prisão injusta, mesmo com apoio de seus colegas e dos próprios manifestantes paulistas, Caio Castor foi preso e imobilizado pelos policiais militares de São Paulo.

Caio Castor rendido e algemado, espera ser levado para uma delegacia em um verdadeiro desrespeito aos direitos humanos. Foto: Vinicius Gomes.
Caio Castor rendido e algemado, espera ser levado para uma delegacia paulista em um verdadeiro desrespeito aos direitos humanos no Brasil. Foto: Vinicius Gomes.

Quando se age dentro da legalidade, autoridade alguma tem o que esconder. Pelo contrário, todas as portas são abertas para que o serviço que o estado nos deve, seja publicizado.

Ao agiram de forma violenta e truculenta, e pior, contra jornalistas, esses homens se colocam acima da lei. E não venham depois tentar justificar o assassinato de um cidadão, profissional com argumentos falsos e que agiram na legalidade e por determinação da autoridade maior.

Faz parte da cartilha da polícia militar brasileira durante todas as suas ações, quando já é premeditado o uso de violência e violação de leis e dos direitos humanos, o que é tipificado como a prática de crime, que esses arranquem do bolso direito a sua identificação para dificultar a responsabilização jurídica futura.

Nilton Ramos
Bacharel em Direito; Pós-Graduado em Direito do Trabalho Lato Sensu; humanista e fundador-presidente da ONG CIVAS – BRASIL.

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