A 40Tona e o Amor

Mulher 40Tona e o Amor

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Qual mulher de quase 40, solteira e independente, que não pensa sobre relacionamentos? Eu penso e super admito…

Escuto sempre que “a gente vai envelhecendo” e se torna mais desconfiada, mas não sei se essa seria a palavra correta pra definir o que uma quase 40tona (no caso EU) vem a se tornar.

Talvez não seja desconfiança a palavra correta, seja preguiça.
Cansaço.
Frustração.
Tristeza.

Ressignificar de novo?
Começar do zero, serio?

Me parece que isso diz muito mais sobre o porque de algumas 40tonas terem uma vida confortável, algumas tem filhos, todas se sustentam, mas na hora de suportar um novo relacionamento; algumas coisas reverberam de forma insuportável e o que tinha tudo pra ser leve, tranquilo e gostoso, se torna cinza, tenso e pesado.

Por algum motivo – que eu não sei qual é, vivemos em uma sociedade onde parece que é feio admitir que “hoje estou triste”, “hoje eu quero ficar sozinha” ou que “hoje eu quero colo”; porque o tempo todo é imposto que temos de sorrir, ficar felizes e alegres.

Como Psicóloga eu posso afirmar que uma pessoa 100% do tempo alegre, está em estado de mania – conhecido do CID10 como F31 – Transtorno afetivo bipolar, no mínio.

Não dá pra ser feliz o tempo todo, isso é humanamente impossível para alguém saudável.

E quando pensamos no assunto relacionamento – e fim de relacionamento, não importa qual ele seja, precisamos aprender a conviver e reconhecer sentimentos visto como negativos, tipo: tristeza, solidão, abandono, medo, insegurança, entre outros. Só admitindo e reconhecendo as nossas próprias dores, que podemos nos curar.

Muitas 40tonas incríveis, estão atreladas a uma imposição social de que “nada me abala” e “nada me entristece”. Acabam se fechando em suas dores escondidas e por trás da sua máscara de fortaleza – assim, surgem dúvidas e medos que as impedem de viver um grande amor.

E impedem porque muitas vezes o piloto automático toma conta, e a 40tona não percebe que não encontra pessoas legais, porque ela se fechou para conhecer outras pessoas – não de forma consciente – ou viveria tranquila, mas ela se fecha por medo de sentir novamente frustração, o cansaço e as tristezas de outrora.

Como 40tona e que ainda acredita no amor, se eu puder deixar algo de bom para vocês, é um dos aprendizados que tive com a vida: você não conhecerá ninguém e nem viverá intensamente um amor (mesmo que passageiro), se estiver fechada em si mesma.

Pra que você seja amada, será necessário que você se permita, se liberte – e isso é olhar para os positivos e os “negativos” da vida e reconhecer que muitos dos relacionamentos que você teve deram certo (o tempo que tinha tinha de ser – e nem sempre este era o tempo que você queria; ponto).

E admitir isso já abrirá espaço para se atentar que, com determinados fins de relacionamentos você sofreu, sentiu falta, desejou que tivesse sido diferente e com este movimento, você se reconhecerá.

Perceberá que os términos anteriores ocorreram porque você deixou de suprir as expectativas do outro e também não teve as suas expectativas supridas. E está tudo bem…

Olhar para as suas feridas, é o primeiro passo para curá-las.
Acredite.

Na boa? Se você é uma 40tona ou quase 40tona como eu, saiba que reconhecer estes momentos da tua vida não te tornará mais fraca e nem menor do que ninguém. Olhar para esta história pregressa, cheia de ressignificações e aprendizados, te tornará muito mais forte e conectada com a tua história e com todo o teu poder!

Você será muito mais segura e calma, esperançosa e ativa – para que o amor que tu deseja e que te procura, se aproxime de ti. Chegando na sua vida de forma delicada e intensa – com um jeito deliciosamente único – te fazendo vibrar na certeza de que todos os outros momentos/amores menores/anteriores, foram só uma preparação pra este grande amor do agora!

Quando pensar em um novo relacionamento, pense com esperança, clareza e de forma intencional, respeite-se e o seu amor será o que te respeitará. Só não se feche para a possibilidade de amar e ser amada.

Um beijo da 40tona que é jovem pra ser velha e velha pra ser jovem; eu.

Sheìla Machado