Para onde vamos?

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Estamos indo na velocidade da luz…

Pra onde estamos indo nessa velocidade frenética? Você já se perguntou?
Cada vez que abro uma rede social, aquelas notícias que li havia 5 minutos já prescreveram. As notícias novas estão pipocando na sua timeline e nós não damos conta de acompanhar. Pra que estamos indo tão rápido se a cada segundo que passa é um segundo a menos, eu quero desacelerar! Aliás, um dos motivos Pelo qual retornei ao Brasil foi a possibilidade de ter uma vida mais desacelerada e viver em uma cidade pacata onde eu possa ouvir o galo cantar ao amanhecer e possa da sacada do meu quarto ver as araras voando no fim de tarde. Eu não quero correria pois não desejo ver a linha de chegada tão cedo, não no que depender de mim. Eu gosto da vida e se a finitude é uma certeza, por que raios corremos tanto?
Meu feed de notícias mais parece uma TV aberta cheia de comercias com “especialistas” dando soluções milagrosas e imediatas para seus problemas. Um algoritmo qualquer faz com que seus interesses pessoais estejam ligados a esses anúncios e isso vira uma praga na sua vida. Você precisou de uma geladeira, foi no Google, pesquisou e comprou a tal geladeira. Pronto, começou a tortura, essa geladeira aparece 50 vezes por minuto no seu Instagram, no Facebook, no LinkedIn, dentro do box na hora do banho, meu Jesus, sensação que aquilo vai te perseguir até você comprar 5 geladeiras. A coisa está persecutória mesmo, como se fosse uma paranóia. Ando preocupada com a velocidade que as coisas acontecem, com a quantidade de fórmulas mágicas pra resolver nossos problemas e dores, como se as dores não fizessem parte da vida. De repente, o mundo virou “especialista em”, “coach de”, “guru fulano”. Nada contra essas pessoas, até porque eu também tenho minha formação em coaching e coaching-psychology, as quais complementam minha formação original de Psicóloga, Eu disse complementam. Será que alguém mais tem essa sensação de que tem gente demais exercendo essas profissões e prometendo coisas que elas sabem que não funcionam assim? Algumas pessoas pelo menos fizeram uma formação, ainda que rápida, e estão aí no mercado. Mas conheço outras que sequer fizeram qualquer formação e também estão aí, no mercado, competindo com você, que dedicou anos da sua vida estudando, buscando conhecimento, aprimorando. Parece que o mundo está de cabeça pra baixo e as pessoas andam desesperadas por algum salvador que vai balançar uma varinha mágica e pah!, resolvido.
Eu tenho medo dessa pressa, dessa incapacidade de lidar com os “nãos “ e com as dores da vida que as gerações que estão chegando andam vivenciando. Os transtornos de ansiedade pipocam e a indústria comemora, nunca se vendeu tantos remedinhos da felicidade. Cuidado com essas soluções imediatas, a curto prazo podem até trazer um alívio momentâneo mas pode custar caro num longo prazo. Tenho a sensação de que, em breve, assim como um dia nos encantamos com a industrialização e a produção em escala, que jogou pra escanteio os trabalhadores que manufaturavam seus produtos e hoje vendem caro os mesmos produtos “artesanais”, ou seja, feitos à mão, sem escala, em algum momento desse trajeto desgovernado que estamos percorrendo, buscando uma forma de não precisarmos do cara-a-cara, quem resistir e se mantiver no mundo físico também será valorizado. Eu me incluo nisso pois faço meu trabalho sem sair de casa, resolvo tudo online, além do trabalho, estudos, conferências, reuniões, pago contas, enfim, não preciso me dar ao “trabalho” de contato físico pra tocar minha vida. Mas, confesso, sinto falta do calor humano que vem desses encontros, do abraço acolhedor em cada cliente que vem ao meu encontro no meu consultório. Sinto falta disso. Obviamente que, poder resolver quase tudo sem ter de sair de casa tem seus benefícios, especialmente após ter me tornado mãe, não sei o que seria de mim se tivesse de enfrentar trânsito, horários rígidos, patrão, gerente, se não pudesse aleitar minha filha exclusivamente leite materno até os 6 meses. Tudo isso é sensacional.
Entretanto, como tudo na vida são fases, minha filha está crescendo e vejo que, em breve, quando ela já estiver na idade escolar, e eu puder programar melhor minha rotina “fora” de casa, o que me impediria de também voltar a ter esse face-to-face com as pessoas? Nada. Não abro mão do virtual que me possibilita atender pessoas que estão em outros países e isso significa levar minha missão ao mundo. Lindo. Masss…
Pelo menos aquelas que estão fisicamente mais próximas, estas faço questão de estar novamente com elas de corpo e alma. Ah, aqueles abraços no final das sessões de cada cliente/paciente, como me faz falta. Esse mundo virtual causou uma transformação tão grande que talvez, nós que estamos vivendo este momento da transição, não tenhamos a exata dimensão das consequências que isso poderá trazer para as próximas gerações, tanto positiva como negativamente. Isso me deixa de cabelos em pé. Oremos!