O bom Juiz sabe a lei. O ótimo Juiz sabe julgá-la.

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“Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor pessoal a qualquer coisa que fazemos.” Este verbete de autoria do psiquiatra suíço, Carl Gustav Jung, distingue as ações humanas entre aquelas que tem por base pura e simplesmente a razão, daquelas cujo fundamento está repleto de carga emocional.

Mais relevante do que saber o que se faz, é saber o porquê se faz. Qual é o móvel que impulsiona alguém a agir da forma que age. O que impulsiona um Juiz a julgar desta ou daquela forma, a ter este ou àquele entendimento. O exercício da magistratura é, sem dúvida, atribuição de mais alta complexidade. Não é atoa que a balança é o simbolo das Ciências Jurídicas.

Contudo, enganam-se aqueles que resumem o bom exercício do direito apenas à capacidade de ponderar normas. É preciso saber o equilíbrio entre a sensibilidade e a racionalidade. Sem a primeira, seria o julgador um mero reprodutor de dispositivos legais, e, parafraseando o ilustre Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, o magistrado tornaria-se um verdadeiro multiplicador de injustiças. Lado outro, sem a racionalidade necessária, as decisões judiciais seriam maculadas pela instabilidade, instaurando-se o caos social e a insegurança jurídica.

O conhecimento técnico deve servir ao julgador como um norteador, um embasamento, mas não deve ser encarado como um fim em si mesmo. Deve o magistrado ter a consciência que por de trás de todas as formalidades, há sempre uma vida humana, que muitas vezes vê no judiciário a ultima esperança de ter seu direito resguardado.

Desta forma, para ser um profissional comprometido, é preciso, antes de conhecer a lei,  conhecer a alma humana.  Mais uma vez, parafraseando Jung, conheça todas as técnicas e teorias, mas ao tocar uma alma humana, seja, antes de qualquer coisa, apenas outra alma humana.

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