Como recomeçar em meio ao caos?

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Seja pela perda do emprego, pelo adoecimento ou a perda de um ente querido, pelo fim de um relacionamento ou pela empresa que faliu, o luto se apresenta com inúmeras faces. Perder. Essa palavra assusta. A maioria de nós não sabe lidar com as perdas. Às vezes, chegamos ao fundo do poço e, nesse momento, a sensação de desamparo é grande demais. Por isso, recomeçar é tão difícil. Recomeçar de onde? Quando?

Primeiramente, saber em que ponto estamos para continuar é a melhor estratégia. Saber quanta energia nos resta e quanta energia precisamos pra seguir em frente. Saber, inclusive, se não é este o momento para uma pausa. Uma retirada. No momento em que eu me permito viver minhas perdas, sentir o meu luto, aceitar que um ciclo se fechou mas que outro se abrirá, nesse momento, eu me preparo para o recomeço.

Recentemente, eu vivi uma situação que me exigiu um pouco mais de tempo para fazer esta transição. Em Abril deste ano, eu retornei ao Brasil depois de morar alguns anos nos Estados Unidos pela segunda vez. Só que desta vez, seria diferente, eu me preparei tanto para o “estar de volta”, para a retomada, especialmente da minha vida profissional, planejei minimamente cada passo, como seria essa jornada. Me sentia mais capacitada do que nunca, afinal, fiz dessa minha segunda estada fora do Brasil a melhor oportunidade que eu poderia ter me proporcionado. Estudei muito, me preparei profissionalmente, produzi meus projetos, era só chegar e começar. Estava tudo programado, então…

As coisas não aconteceram exatamente no tempo em que eu quis. Eu me senti um pouco perdida inicialmente, mas, entendi que dentro do contexto em que me encontrava, havia prioridades. Minha carreira profissional ficou em segundo plano porque era importante que fosse assim. Minha cabeça precisou funcionar rapidamente mas meu corpo não estava acompanhando muito bem, isso porque no meio de um relativo caos veio a novidade mais surpreendente: eu grávida de 18 semanas e sequer percebi as mudanças do meu organismo. Foi a melhor de todas as surpresas. Foi nesse momento que me dei conta que eu precisava fazer a tal retirada estratégica. Desacelerar e refazer meu ritmo. Eu me permiti suspender meus planos e recalcular a rota. Sabe quando você passa pela rua na qual o GPS indicou que você entrasse daí ele recalcula até encontrar uma nova saída? Pois é, foi bem assim.

Decidi voltar e olhar para dentro. Ao me permitir parar e respirar, eu entendi que estava acelerada demais, com pressa demais, querendo dar conta de todos os meus projetos e que tudo saísse no meu tempo. Isso me tornou tão pouco sensível às transformações que pelas quais meu corpo passava que eu não percebi que dentro deste corpo batiam dois corações. Parei. Respirei. Aceitei. Compreendi onde estava e do que precisava, e de quanto tempo precisava. Entendi o recado sem culpa nem arrependimento.

Pausa feita, rota recalculada. Agora sim, com bateria novinha, recarregada, minhas idéias fluem, minha sensação de potência para agir está multiplicada e finalmente retomei. Não que as coisas tenham mudado ou que os problemas tenham desaparecido, pelo contrário, eles continuam. E quem não os tem? O que mudou nessa história fui eu mesma, minha percepção do caos, minha aceitação de que não posso dar conta de tudo e de que não dava para seguir em frente como um rolo compressor. Entrar em contato comigo mesma me permitiu reorganizar minhas idéias e estabelecer novas prioridades. No meio do caos podemos nos reencontrar e seguir em frente.

Permita-se. Esta máquina chamada corpo humano precisa de pausas também. Porque quando chegar a hora de recomeçar, que seja com sangue nos olhos! Mas se for pra parar, que seja com tranquilidade e aceitação.

Antes que eu me esqueça, permitam-me essa pequena homenagem à minha filhinha que está chegando: Bem vinda ao mundo, minha pequena Sophie. Sempre haverá o caos mas sempre haverá o amor. E o amor que tenho para te dar é o amor que aprendi com meu pai e minha mãe, portanto, te garanto, é genuíno. Pode vir, esta máquina humana aqui está (sempre) em formação mas aprenderemos juntas a sermos mãe e filha! Assim se fecha um ciclo e outro nasce. Você é meu recomeço.

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