Destrinchando as RELAÇÕES INTERNACIONAIS através da BÍBLIA: 1. ETIÓPIA

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É impressionante que, quando observamos as RELAÇÕES INTERNACIONAIS nos dias de hoje e procuramos respostas na BÍBLIA, tudo fica mais fácil de se entender. Muitos comportamentos de atores no cenário internacional contemporâneo, muitas tomadas de decisões, e Políticas implementadas por governos e nações passam a se tornar mais coerentes e a fazer mais sentido quando buscamos compreender historicamente o comportamento e o caráter embutido na formação de determinada nação. Às vezes, por causa das inúmeras mudanças ocorridas durante os séculos, parece muito difícil de se entender, mas assimilar o início de tudo é a base fundamental para acompanhar o desenrolar de todas essas histórias dos países de hoje.

Etiópia, Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia, Líbia, Síria, Israel, Arábia Saudita e até mesmo a Alemanha, Criméia e Rússia, são nações que a Bíblia menciona e registra suas origens de forma rica e cheia de histórias. E em muitas dessas narrativas, percebemos como foram sendo moldados o caráter e o comportamento de algumas destas nações durante o tempo. Grandes governantes e Chefes-de-Estado excêntricos, em determinados momentos, por pressões populares, ou em busca de Poder ou por convicções pessoais, religiosas e proféticas, tomaram decisões em suas políticas públicas, que influenciam a formulação de políticas externas até os dias de hoje. É impressionante constatar.

Estudando as Relações Internacionais através da Bíblia, temos, não só a narrativa da constituição de Nações, mas a tônica das Leis e regimes jurídicos de alguns países, suas formações econômicas e sociais; conhecemos a base dos Direitos Humanos compreendido por algumas nações, o intervencionismo, o terrorismo, o desenvolvimento regional, as influências religiosas sobre alguns regimes e até mesmo, a política nuclear mundial.

Nas próximas semanas, pretendo deixar aqui, uma série de estudos de forma a simplificar e desmistificar, através de linguagem simples e palatável tanto para acadêmicos quanto para leigos, alguns aspectos bíblicos definidores das Relações Internacionais. Tenha uma boa leitura.

A ETIÓPIA

A Etiópia é um país muito intrigante na história da Bíblia. A primeira vez em que há alguma menção ao racismo na Bíblia, a Etiópia é citada. A Etiópia, também, já foi um grande império, com muito ouro e riquezas. A Rainha de Sabá era da Etiópia. A Bíblia diz que a Etiópia enviava Embaixadores em navios luxuosos pelo rio Nilo e que possuiam exércitos. Um dos reis Magos, do nascimento de Jesus era Etíope. E, a partir de um homem só, a Etiópia se tornou um país de maioria cristã (até hoje), mesmo estando envolto isoladamente, por países árabes e de ampla maioria muçulmana.

Hoje a Etiópia é a sede da União Africana e da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África. É o país com o maior número de Patrimônios Mundiais da UNESCO (com oito, juntamente com a África do Sul). Foi na Etiópia que se originou o café, considerado o “grão que move o mundo”. É um dos primeiros países cristãos no mundo e, é considerado o berço do homo-sapiens. E foi um dos apenas três membros africanos da Liga das Nações, instituição precursora da ONU.

A Etiópia é mencionada, tanto no antigo Testamento, quanto no novo. A primeira vez que a Etiópia é mencionada na Bíblia é em Genesis 2:13, sob o nome de “Terra de Cuxe” (ou Cush, ou Cuche). Cuxe era neto de Noé e filho de Cam. A terra de Cuxe era a região, ao norte da África, habitada pelos descendentes de Cuxe, o patriarca dos povos africanos de pele escura. o Grande Moisés teve uma mulher Cushita (Etíope). Os antigos gregos costumavam chamar os Cuxes de Etíopes, o que significava “faces queimadas” ou “faces negras”.

A ETIÓPIA E O RACISMO NA HISTÓRIA

Uma referência interessante quanto à questão racial, foi quando Arão e Miriã, irmão e irmã de Moisés zombavam da mulher de Moisés, chamada Zípora, por ser uma Cuxita/Etíope (negra). A Bíblia narra que os irmãos de Moisés questionaram a autoridade do líder Moisés por ter uma esposa que não era de origem hebraica (Números 12:1 “Miriã e Arão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher cuxita.”). Talvez, o alvo das críticas era Moisés e não sua esposa, mas seus irmãos não titubearam em se aproveitar da descendência negra de Zípora para criticar Moisés.

Leia em Números 12, o desenrolar dessa história e o castigo de Deus sobre os irmãos zombadores de Moisés.

A ETIÓPIA COMO UMA REGIÃO PRÓSPERA

A Bíblia faz inúmeras referências à prosperidade na Etiópia, mencionando-a como uma “forte e poderosa nação” (Isaías 18:7). “Terra que envia embaixadores em luxuosos navios, pelo Nilo a baixo… Forte e ilustre Nação, temida em toda parte.” (Isaías 18:2)

A RAINHA DE SABÁ, foi uma poderosa soberana do reino de Sabá, que se extendia do atual Sudão, passando pela Etiópia ao atual Iemen e Eritréia, aproximadamente durante os anos 1.000 A.C.. A Rainha de Sabá, saiu da Etiópia e foi até Jerusalém, só para conhecer o Rei Salomão, por causa da fama que ele tinha e se impressionou com tudo o que viu. A Rainha, que viajou com uma enorme caravana e, admirada, mediante tamanha sabedoria de Salomão, fez questão de oferecer toneladas de ouro e riquezas, enchendo navios e carros, para enviar ao Rei.

VEJA QUE INTERESSANTE ESSE TRECHO BÍBLICO, que mostra um pouco das relações de Estado e comerciais (envolvendo também o Egito) na na época: (1 Reis 10:1-29)

“A rainha de Sabá soube da fama que Salomão tinha alcançado, graças ao nome do Senhor, e foi a Jerusalém para pô-lo à prova com perguntas difíceis.

Quando chegou, acompanhada de uma enorme caravana, com camelos carregados de especiarias, grande quantidade de ouro e pedras preciosas, foi até Salomão e lhe fez todas as perguntas que tinha em mente.

Salomão respondeu a todas; nenhuma lhe foi tão difícil que não pudesse responder.

Vendo toda a sabedoria de Salomão, bem como o palácio que ele havia construído,

o que era servido em sua mesa, o lugar de seus oficiais, os criados e copeiros, todos uniformizados, e os holocaustos que ele fazia no templo do Senhor, ela ficou impressionada.

Disse ela então ao rei: “Tudo o que ouvi em meu país acerca de tuas realizações e de tua sabedoria era verdade.

Mas eu não acreditava no que diziam, até ver com os meus próprios olhos. Na realidade, não me contaram nem a metade; tu ultrapassas em muito o que ouvi, tanto em sabedoria como em riqueza.

Como devem ser felizes os homens da tua corte, que continuamente estão diante de ti e ouvem a tua sabedoria!

Bendito seja o Senhor, o teu Deus, que se agradou de ti e te colocou no trono de Israel. Por causa do amor eterno do Senhor para com Israel, ele te fez rei, para manter a justiça e a retidão”.

E ela deu ao rei quatro toneladas e duzentos quilos de ouro e grande quantidade de especiarias e pedras preciosas. E nunca mais foram trazidas tantas especiarias quanto as que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.

( Os navios de Hirão, que carregavam ouro de Ofir, também trouxeram de lá grande quantidade de madeira de junípero e pedras preciosas.

O rei utilizou a madeira para fazer a escadaria do templo do Senhor e a do palácio real, além de harpas e liras para os músicos. Nunca mais foi importada nem se viu tanta madeira de junípero. )

O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu, além do que já lhe tinha dado por sua generosidade real. Então ela e os seus servos voltaram para o seu país.

O peso do ouro que Salomão recebia anualmente era de vinte e três toneladas e trezentos quilos,

fora os impostos pagos por mercadores e comerciantes e por todos os reis da Arábia e pelos governadores do país.

O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido, utilizando três quilos e seiscentos gramas de ouro em cada um.

Também fez trezentos escudos pequenos de ouro batido, com um quilo e oitocentos gramas de ouro em cada um. O rei os colocou no Palácio da Floresta do Líbano.

O rei mandou fazer ainda um grande trono de marfim revestido de ouro puro.

O trono tinha seis degraus, e o seu encosto tinha a parte alta arredondada. Nos dois lados do assento havia braços, com um leão junto a cada braço.

Doze leões ficavam nos seis degraus, um de cada lado. Nada igual havia sido feito em nenhum outro reino.

Todas as taças do rei Salomão eram de ouro, bem como todos os utensílios do Palácio da Floresta do Líbano. Não havia nada de prata, pois a prata quase não tinha valor nos dias de Salomão.

O rei tinha no mar uma frota de navios mercantes junto com os navios de Hirão. Cada três anos a frota voltava, trazendo ouro, prata, marfim, macacos e pavões.

O rei Salomão era o mais rico e o mais sábio de todos os reis da terra.

Gente de todo o mundo pedia audiência a Salomão para ouvir a sabedoria que Deus lhe tinha dado.

Ano após ano, todos os que vinham traziam algum presente: utensílios de prata e de ouro, mantos, armas e especiarias, cavalos e mulas.

Salomão juntou carros e cavalos; possuía mil e quatrocentos carros e doze mil cavalos, dos quais mantinha uma parte nas guarnições de algumas cidades e a outra perto dele, em Jerusalém.

O rei tornou a prata tão comum em Jerusalém quanto as pedras, e o cedro tão numeroso quanto as figueiras bravas da Sefelá.

Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e da Cilícia, onde os fornecedores do rei os compravam.

Importavam do Egito um carro por sete quilos e duzentos gramas de prata, e um cavalo por um quilo e oitocentos gramas, e os exportavam para todos os reis dos hititas e dos arameus.”

A HISTÓRIA SECULAR (não bíblica), constante na tradição e autos oficiais etíopes, conta que a Rainha de Sabá possivelmente teve um filho com o Rei Salomão, chamado Menelek, e este se tornou o primeiro imperador da Etiópia. Menelek foi o fundador da “Dinastia Salomonica” da Etiópia que governou o país com poucas interrupções durante aproximadamente TRÊS MIL ANOS ou 225 gerações, depois terminadas com o Imperador Haile Selassie (cujo nome significava Leão de Judá) em 1974.

A ETIÓPIA NO NASCIMENTO DE JESUS

Todas as Bíblias cristãs narram o nascimento de Jesus e mencionam que Ele recebeu ouro, incenso e mirra. Mas, somente a bíblia católica apresenta o nome de cada um destes reis magos e de onde cada um veio. Segundo a bíblia católica, um destes reis magos era oriundo da Etiópia. Os presentes foram repletos de significados e a procedência de cada Rei Mago, simbolizava os reinos de toda a terra: O árabe, Baltazar: trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus. O indiano, Belchior: trazia ouro, significando a sua realeza. O ETÍOPE, Gaspar: trazia mirra, significando a sua humanidade.

O CRISTIANISMO DE HOJE NA ETIÓPIA… ATRAVÉS DE UM HOMEM SÓ.

É interessante que quando olhamos no mapa, vemos que os países ao entorno da Etiópia são todos de origem árabe e de maioria esmagadora muçulmana. O que IMPRESSIONA de verdade, é compreender como a Etiópia se tornou um país oficialmente cristão: Através de um homem só.

A Bíblia conta que quando houve o dia do pentecostes em Jerusalém (aí, já no século I), a rainha Candace, da Etiópia enviou um dos seus altos funcionários para Jerusalém. A Bíblia menciona que ele era “um eunuco etíope, um oficial importante, encarregado de todos os tesouros de Candace, rainha dos etíopes”. Este etíope tinha um cargo semelhante à um Ministro de Fazenda nos dias de hoje. O Relato apresenta que quando ele estava em sua carruagem, próximo à região de Gaza, ao sul de Jerusalém, Filipe, um apóstolo de Jesus o interpelou e passou a lhe explicar algumas partes das escrituras que o etíope não conseguia compreender. Depois de uma boa conversa sobre as coisas de Deus, o etíope pediu para ser batizado ali mesmo, assim que encontraram alguma água no deserto. E, desta forma, termina a história da Etiópia na Bíblia: Quando o etíope acabou de ser batizado, Filipe sumiu e, segundo a bíblia: “O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu o seu caminho (de volta para a Etiópia).” Este eunuco etíope, alto funcionário da Rainha Candace, foi o primeiro cristão da Etiópia. Depois deste trecho, a Etiópia nunca mais foi mencionada na Bíblia. Provavelmente este homem carregou a semente do que havia experimentado, de volta para o seu país e, deve ter apresentado um relatório à Rainha Candace, impressionando-a e à todos no seu reino… No século IV, o cristianismo se tornou religião oficial de Estado na Etiópia.

LEIA AQUI, O ENCONTRO DE FILIPE COM O ETÍOPE (Atos 8:26-40):

“Um anjo do Senhor disse a Filipe: “Vá para o sul, para a estrada deserta que desce de Jerusalém a Gaza”.

Ele se levantou e partiu. No caminho encontrou um eunuco etíope, um oficial importante, encarregado de todos os tesouros de Candace, rainha dos etíopes. Esse homem viera a Jerusalém para adorar a Deus e,

de volta para casa, sentado em sua carruagem, lia o livro do profeta Isaías.

E o Espírito disse a Filipe: “Aproxime-se dessa carruagem e acompanhe-a”.

Então Filipe correu para a carruagem, ouviu o homem lendo o profeta Isaías e lhe perguntou: “O senhor entende o que está lendo? “

Ele respondeu: “Como posso entender se alguém não me explicar? ” Assim, convidou Filipe para subir e sentar-se ao seu lado.

O eunuco estava lendo esta passagem da Escritura: “Ele foi levado como ovelha para o matadouro, e como cordeiro mudo diante do tosquiador, ele não abriu a sua boca.

Em sua humilhação foi privado de justiça. Quem pode falar dos seus descendentes? Pois a sua vida foi tirada da terra”.

O eunuco perguntou a Filipe: “Diga-me, por favor: de quem o profeta está falando? De si próprio ou de outro? “

Então Filipe, começando com aquela passagem da Escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus.

Prosseguindo pela estrada, chegaram a um lugar onde havia água. O eunuco disse: “Olhe, aqui há água. Que me impede de ser batizado? “

Disse Filipe: “Você pode, se crê de todo o coração”. O eunuco respondeu: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”.

Assim, deu ordem para parar a carruagem. Então Filipe e o eunuco desceram à água, e Filipe o batizou.

Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe repentinamente. O eunuco não o viu mais e, cheio de alegria, seguiu o seu caminho.

Filipe, porém, apareceu em Azoto e, indo para Cesaréia, pregava o evangelho em todas as cidades pelas quais passava.”