O lado “B” da Crise: Oportunidade

Pesquisando sobre qual teria sido um dos temas mais discutidos nos últimos tempos no Brasil, “Crise” está entre os primeiros.

Empresas decretando falênciamilhões de desempregados esperando por alguma vagafamílias endividadas.

crise envolve perdas, por vezesrepentinas. Aquele trabalho ao qual você se dedicou havia anos, do dia para a noitenão é mais seu

Como elaborar tantas perdas? Como pagar as contas que não param de chegar?Como juntar os cacos e seguir em frente?

Tudo bem que você já estava chegando no seu limite por tanto estresseseu chefe pegando no seu , te enviando emails até nos seus dias de folga, a empresa uma bagunçavocê levava trabalho pra casa pra dar conta de tanto serviçoganhava tão pouco que já entrava o próximo mês devendosua conta no banco sempre no vermelho, você estourou todos os seus cartões de créditoseu cheque especial e você estava a ponto de ter um “burnout”, sem contar que ficava minuto a minuto contando quanto tempo faltava para chegar Sexta-feira, 18h. Mas pelo menos tinha um trabalho fixo com carteira assinada. Certo?

proposta deste artigo é fazer uma reflexão mais ampla deste momento que chamo de o “lado B” da crise. O “lado A” conhecemosele é  devastador

Embora seja difícil conseguir ver qualquer benefício em um momento como estevamos lá. 

Tenho lido vários artigos sobre pessoas quepor causa da criseperderam emprego e, sem opção no mercado de trabalhoforam empreenderForam fazer o que sempre quiseram mas não tinham coragem de abandonar um trabalho “seguro” por um sonho que teria pouca chance de dar certo ou daria muito trabalho. Dai,  que não tinham muitas escolhasrevestiram-se de coragemdesenvolveram habilidades que nem imaginavam poder conseguiraprimoraram conhecimentos e foram com tudosangue nos olhosEra isso ou nada.Não tinham mais o que perder. Com o passar do tempo, o sonho vai crescendo, aquilo que parecia difícil demais começa a parecer possívelaprendemos a gostar ainda mais do projeto, o “durante a semana” passa a ser bom também e não mais somente a Sexta. Que sensação estranha de recomeçar do zero. O retorno financeiro desejado ainda nao é realidade mas ter mais dias de prazer no trabalho ao invés de sofrimentoangústiaestresse, é tão bom que parece ser até um milagre fazer o que se gostamos e ainda receber por isso.

Na nossa sociedadecultivamos a idéia de que trabalhar é “matar um leão por dia” e que necessariamente trabalhar nada tem a ver com momentos de felicidade e realizaçãoVeja nas redes sociais quantosmemes sobre a “Sexta-feira” como o dia internacional da felicidade e da diversão

Voltando à crisevou fazer uma ressalva. É possível que a crise, o desemprego, o endividamento financeiro nos proporcioneuma oportunidade única de realização pessoal e profissional, de fazermos daquele sonho antigo uma fonte de renda e, mais que issouma fonte de felicidadesdeixados de lado pela “estabilidade” ou pela zona de conforto

Quando não temos como recorrer a mais ninguémtudo que nos resta é recorrer aos nossos próprios recursosBuscar inspiração no que temos de mais íntimo que são nossos desejos. A explicação para isso é claraquando fazemos algo que nos dá prazertemos mais tolerânciamais resistência diante das dificuldades, vamos mais longe por aqueles momentos de prazer e também para os manterBuscamos recursos onde nem há e nos reinventamos quando for preciso, só para viver aquilo de novo. Sentimo-nos motivados pela recompensa que é nos sentir tão bem.

Não é diferente com o trabalho. Nosso empenho é infinitamente maiorassim como nosso esforço, se o trabalho que desempenhamos é uma fonte de reforçadores.

Veja que estranho pensar que a zona de conforto é perigosa pois ela pode te permitir ficar em uma situação “estávelporém incômoda

Ela pode te fazer acreditar que um ou dois dias razoavelmente interessantes na semana está de bom tamanho nem que para isso eu tenha de estar insatisfeito e infeliz outros cinco dias.

Por outro lado, a crise pode te angustiarte incomodarte desempregar. Mas pode te permitir desenvolver habilidades incríveisfazer você reagir como uma fênix que renasce das cinzasIsso dá muito trabalho mas exatamente por parecer não haver outra opção você estará condenado trabalhar com aquilo que te trará realização e felicidade de Segunda a Segunda. E logo aquela que parecia ser a última das possibilidades. Que ironia esta vida!

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Psicóloga Clínica, Coach-Psychologist, Palestrante e criadora dos Programas Diva no Divã / Empoderamento Feminino e 4EverFit / Beyond Diet Recipies. Sou uma apaixonada pelo desenvolvimento humano, empoderar pessoas é minha arte. Sou especialista em Terapia Comportamental (PUC/MG) e em Coaching-Psychology (HARVARD UNIVERSITY / Boston - USA).